A Justiça paulista negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador Hytalo Santos e do marido, Israel Nata Vicente, investigados por tráfico humano e exploração sexual de menores. A decisão também rejeitou o pedido de transferência da dupla para a Penitenciária 2 de Tremembé (relembre o caso aqui), no interior do estado, alegando que a suposta condição de vulnerabilidade dos acusados — em razão da orientação sexual e da repercussão midiática do caso — não justifica, por si só, a medida.
Atualmente, ambos seguem detidos no Centro de Detenção Provisória 1 de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. No entanto, a qualquer momento podem ser transferidos para a Paraíba, estado onde se concentram as investigações conduzidas pelo Ministério Público estadual (MP-PB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Em um vídeo noticiado pelo Primeiro Impacto, Hytalo diz “estar sem entender” porque está diante da justiça (veja abaixo).
“A gente estava aqui em São Paulo… recebendo inúmeras… mais pela questão do que o povo está falando na mídia. Porque a gente está aqui sem nem entender o porquê de estar aqui”, declarou o influenciador diante do juiz responsável pelo caso.
Hytalo Santos é investigado por exploração
As investigações tiveram início em 2024, após denúncias de vizinhos sobre a presença constante de crianças e adolescentes na casa do influenciador, em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Segundo relatos, as gravações ocorriam até altas horas e produziam ruídos constantes.
O caso ganhou visibilidade nacional após um vídeo publicado pelo youtuber Felca denunciar a adultização de menores em conteúdos destinados às redes sociais. A partir do material, o MP-PB reforçou as investigações e denunciou Hytalo por promover performances de caráter sexualizado com crianças e adolescentes, com o intuito de obter engajamento digital e lucros financeiros.
Na denúncia, a promotora Ana Maria França Cavalcante de Oliveira, da 2ª Promotoria de Justiça de Bayeux, detalha que o influenciador recrutava jovens para formar um grupo denominado “crias”, “filhas” e “genros”, que viviam sob sua tutela informal. Além da presença em vídeos e fotografias, os adolescentes recebiam apoio financeiro direto ou por meio das famílias.
Com a repercussão do caso, a Justiça determinou a suspensão de todos os perfis de Hytalo nas plataformas digitais, proibiu o contato com menores citados na investigação e ordenou a desmonetização dos conteúdos já publicados. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências ligadas ao influenciador, e dispositivos eletrônicos foram recolhidos para análise pericial. A investigação segue em curso. A promotoria apura, além da exploração infantil, indícios de tráfico humano e outros possíveis crimes conexos. Até o momento, Hytalo e Israel permanecem em regime de prisão preventiva, à disposição da Justiça.