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Você protege sua empresa. Mas quem protege você, empreendedor?

Doença, acidente, invalidez e aposentadoria costumam ficar fora do planejamento de quem empreende, mas podem comprometer renda, patrimônio e o futuro da família
Você protege sua empresa. Mas quem protege você?

Todo empreendedor tem um projeto. Abrir uma empresa, vender mais, crescer, contratar, conquistar espaço no mercado. Mas existe um projeto anterior a todos esses: proteger a própria capacidade de trabalhar, porque é dela que nasce todo o resto.

O empreendedor individual vive, muitas vezes, do próprio esforço direto. Quando ele para, a renda quase sempre para junto. Por isso, a proteção previdenciária não pode ser vista como detalhe burocrático, mas como parte essencial da organização da vida.

Doença, acidente e incapacidade podem comprometer a renda

Os riscos sociais não pedem licença. Uma doença chega, um acidente acontece, uma gravidez muda a rotina, uma incapacidade interrompe planos e a morte pode deixar dependentes desamparados. São fatos que não avisam. Apenas acontecem.

A realidade mostra que muitos empreendedores passam anos focados exclusivamente no crescimento do negócio e acabam descobrindo tarde demais que não possuem uma rede mínima de proteção. Diferentemente de trabalhadores com carteira assinada, que contam automaticamente com cobertura previdenciária, o empreendedor precisa tomar a iniciativa de construir essa proteção por conta própria.

Também há um risco que não é acaso: a idade avançada. O amanhã pode parecer incerto, mas uma certeza existe. O tempo passa, a força de trabalho diminui e ninguém empreende para sempre com a mesma energia física e mental.

Como funciona a contribuição ao INSS para quem empreende

Por isso, contribuir para o INSS é uma decisão de preservação. O contribuinte individual pode se filiar à Previdência Social e recolher por conta própria, por meio da Guia da Previdência Social. Pode recolher 20% sobre o salário de contribuição, no plano normal, ou 11% sobre o salário mínimo, no plano simplificado.

A escolha da forma de contribuição influencia diretamente os benefícios que poderão ser acessados no futuro. Auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte para dependentes e aposentadoria são algumas das proteções que dependem não apenas do recolhimento, mas também da manutenção da qualidade de segurado e do cumprimento dos períodos mínimos de carência exigidos pela legislação.

MEI, contribuição reduzida e limites da cobertura previdenciária

Nos casos permitidos em lei, também existe a contribuição reduzida de 5%, como ocorre com o Microempreendedor Individual e com o facultativo de baixa renda. Mas cada escolha tem consequência. Quem recolhe menos paga menos hoje, mas pode limitar direitos importantes amanhã.

O MEI recolhe, em regra, 5% do salário mínimo por meio do DAS-MEI. Esse pagamento garante proteção previdenciária relevante, mas, sozinho, possui limitações. Para ampliar direitos, especialmente quanto ao aproveitamento como tempo de contribuição, é necessário complementar o recolhimento.

Muitos microempreendedores acreditam que a simples formalização do negócio resolve toda a questão previdenciária. Não resolve. Dependendo dos objetivos de longo prazo, especialmente para quem pretende utilizar esse período para aposentadoria por tempo de contribuição ou ampliar o valor futuro dos benefícios, pode ser necessário um planejamento previdenciário específico.

Quando vale complementar a contribuição do MEI

A complementação segue uma lógica simples. O MEI paga normalmente o DAS-MEI e, depois, recolhe mais 15% sobre o salário mínimo por GPS, no código próprio de complementação. Assim, a contribuição atinge o patamar de 20%, preservando direitos que poderiam ser perdidos.

Esse cuidado não deve ser tratado como gasto. É uma blindagem pessoal contra o acaso. É a reserva mínima diante dos riscos que interrompem sonhos, desorganizam famílias e atingem justamente quem depende da própria força para produzir renda.

O empreendedor costuma contratar seguro para veículos, proteger equipamentos, monitorar estoques e acompanhar indicadores financeiros. Tudo isso faz sentido. Mas poucas decisões têm impacto tão direto na estabilidade pessoal e familiar quanto a proteção previdenciária. Afinal, quando a capacidade de trabalhar é interrompida, o primeiro patrimônio ameaçado é justamente a renda.

O que fazer agora?

Se você empreende, vale a pena dedicar alguns minutos para revisar sua situação previdenciária. Algumas medidas simples podem evitar problemas no futuro:

  • verificar se suas contribuições estão sendo realizadas corretamente;
  • consultar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para identificar eventuais falhas de registro;
  • avaliar se a modalidade de contribuição escolhida é compatível com seus objetivos de longo prazo;
  • conferir se existe necessidade de complementação das contribuições do MEI;
  • manter documentos e comprovantes de recolhimento organizados;
  • buscar orientação especializada quando houver dúvidas sobre aposentadoria, benefícios por incapacidade ou planejamento previdenciário.

Prevenir hoje custa menos do que corrigir depois

A prevenção costuma ser muito mais barata do que a correção de problemas descobertos apenas no momento em que o benefício se torna necessário.

O INSS continua sendo a primeira e mais importante proteção que um empreendedor deve se permitir. Porque o maior empreendimento da vida não é apenas abrir um negócio. É preservar a si mesmo, proteger a família e chegar ao futuro com segurança.


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Autor

  • Cleiton Leal

    Advogado | Mestre em Direito Ambiental
    Professor de Direito do Trabalho e Previdência Social e Complementar
    Presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB – Câmara Trabalhista
    Especialista em assuntos do mundo do Trabalho e da Seguridade Social

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