Uma live divulgada no YouTube cinco dias antes da aplicação do Enem 2025 tem chamado atenção dos internautas neste início de semana pela proximidade entre questões “previstas” e as cobradas oficialmente no segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio. O caso tem levantado suspeitas entre candidatos que compartilharam suas dúvidas nas redes sociais, especialmente no X.
O vídeo, transmitido em 11 de novembro, dias antes da aplicação da prova de matemática e ciências da natureza, exibiu perguntas com estrutura, valores e comandos quase idênticos aos utilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no exame oficial.

O autor da transmissão, Edcley Teixeira, que se apresenta como estudante de Medicina e consultor educacional, afirmou durante a live ter realizado uma “pré-prova” do Enem baseada em técnicas legais e análises preditivas, mas, sem qualquer acesso antecipado ao conteúdo oficial.
“Desenvolvi um algoritmo que responde qualquer questão. Com poucos recursos, consegui entender a lógica do Enem e prever as perguntas”, declarou. Segundo ele, a iniciativa busca “democratizar a educação”, negando ter ocorrido qualquer tipo de vazamento.


Repercussão nas redes sociais
Edcley disse que utilizou diferentes métodos para prever o conteúdo da prova, entre eles:
- Participação no Prêmio CAPES Talento Universitário, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes);
- Suposto acesso e memorização de questões do prêmio, que, segundo ele, serviriam de base para itens do Enem;
- Estudo da Teoria de Resposta ao Item (TRI) e da estrutura da prova por mais de dez anos;
- Investigação dos nomes dos elaboradores e revisores da prova publicados em chamadas públicas;
- Análise dos artigos científicos produzidos por esses profissionais para “descobrir no que eles estão pensando”;
- Desenvolvimento de algoritmos e engenharia reversa aplicada ao banco de questões.
Após a repercussão, estudantes que prestaram o exame passaram a questionar, nas redes sociais, a legitimidade da avaliação e manifestaram preocupação com uma possível anulação da prova, mesmo que isso não tenha sido confirmada pelo Ministério da Educação.
Uma das publicações, que viralizou nas redes, diz: “sem alarmismo porém um professor fez live seis dias atrás com as questões totalmente idênticas a do enem literalmente os mesmos valores e mesmo enunciado da prova”.
Em vídeos posteriores, o próprio Edcley voltou atrás e afirmou que “não existe isso da Capes”, atribuindo as previsões inteiramente a seus próprios métodos. A investigação sobre a veracidade das declarações e a origem das questões ainda não foi confirmada por nenhuma autoridade do Estado.
Apesar da crescente inquietação dos usuários nas redes, o Inep e o Ministério da Educação (MEC) foram procurados e ainda não se manifestaram oficialmente até a conclusão desta matéria.
