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Investigação do MPF apura suspensão de contas LGBTQIA+ no Instagram

Órgão federal solicitou esclarecimentos à Meta após denúncias de suspensões em massa de contas ligadas à comunidade LGBTQIA+
CAPA MATERIA (19)

Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma investigação para apurar a suspensão de mais de 100 perfis ligados à comunidade LGBTQIA+ no Instagram. Além disso, o órgão solicitou informações à Meta, empresa responsável pela plataforma, após receber uma representação da organização Sleeping Giants Brasil sobre os bloqueios.

Segundo o MPF, um dos episódios afetou contas que, juntas, somavam mais de 1,7 milhão de seguidores. Os perfis produziam conteúdos relacionados à informação, mobilização social e defesa dos direitos da população LGBTQIA+.

Representação motivou abertura da investigação

A organização Sleeping Giants Brasil encaminhou a denúncia ao Ministério Público Federal após identificar uma série de bloqueios em massa entre maio e o início de junho deste ano. De acordo com a entidade, as suspensões ocorreram em períodos próximos a datas importantes para a comunidade LGBTQIA+.

Além disso, os relatos apontam que as restrições aconteceram perto do Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, celebrado em 17 de maio, e também às vésperas da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, considerada uma das maiores do mundo.

O procurador da República Lucas Costa Almeida Dias destacou que as informações requisitadas à Meta têm relação direta com um inquérito civil que acompanha a proteção da população LGBTQIA+ contra discursos de ódio nas plataformas digitais.

MPF quer esclarecimentos sobre critérios adotados

De acordo com o órgão, parte das contas voltou a funcionar após a repercussão do caso na imprensa. No entanto, novas suspensões teriam ocorrido poucos dias depois, o que levantou questionamentos sobre os critérios utilizados para remover os perfis.

Por isso, o Ministério Público Federal busca esclarecer se as restrições podem ter relação com mudanças promovidas pela Meta em suas políticas de moderação de conteúdo.

Além disso, o órgão considera necessário avaliar se alterações institucionais adotadas pela empresa podem ter impactado a proteção contra conteúdos discriminatórios nas plataformas digitais.

Meta não comentou o caso

Em nota, a Meta informou que não pretende se manifestar sobre a investigação.

Em janeiro de 2025, a companhia anunciou mudanças em suas políticas voltadas à liberdade de expressão. Na ocasião, a empresa reduziu a distribuição de conteúdos relacionados à política, eleições e questões sociais. Posteriormente, porém, a companhia reviu parte dessas medidas.

Além disso, a Meta informou que utiliza sistemas automatizados para identificar conteúdos ligados a terrorismo, exploração sexual infantil, drogas, golpes e fraudes. Já outras violações dependem de denúncias feitas pelos próprios usuários.

*Contém informações da CNN*


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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