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EUA devem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Possível decisão pode impor sanções internacionais a integrantes das facções e ampliar a cooperação entre países no combate ao crime organizado
Bandeiras de Brasil e EUA com algemas simbolizando a classificação internacional de facções criminosas brasileiras.

Com o avanço ao combate à grupos terroristas no Oriente Médio, agora o governo dos Estados Unidos deve mirar ações para a América. Nos próximos dias deve ser anunciada internacionalmente a classificação de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Caso a decisão seja oficializada, integrantes dessas facções poderão ser alvo de sanções mais severas no exterior, como bloqueio de bens, restrições financeiras e impedimentos para entrada em território americano. A medida também tende a ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

A iniciativa faz parte da estratégia de segurança do presidente Donald Trump, que segue na presidência com a proposta de endurecer o combate a organizações criminosas transnacionais. Desde o início do novo mandato, os Estados Unidos já incluíram mais de duas dezenas de grupos estrangeiros na lista de organizações consideradas terroristas.

A classificação de grupos brasileiros chegou a ser discutida com autoridades do país em maio de 2025, quando representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos estiveram em Brasília e apresentaram a proposta ao governo federal, defendendo uma atuação conjunta mais rígida contra as facções.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, não aderiu à sugestão. A justificativa é que, pela legislação brasileira, organizações criminosas não se enquadram automaticamente como grupos terroristas.

Pichação da sigla PCC em muro, destacando a presença da facção criminosa Primeiro Comando da Capital em São Paulo.
(Imagem: Arquivo/Agência Brasil)

O que é crime organizado

O crime organizado é caracterizado pela atuação estruturada de grupos que se organizam de forma hierárquica para cometer atividades ilegais de maneira contínua. Essas organizações costumam ter divisão de funções, planejamento e redes de atuação que podem se estender por diferentes cidades ou países.

Entre as principais atividades do crime organizado estão tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, contrabando de armas, extorsão e controle de territórios.

No Brasil, facções como o PCC e o Comando Vermelho são exemplos desse tipo de estrutura criminosa, com atuação dentro e fora do sistema prisional e ramificações em diversos estados.

O que é uma organização terrorista

Grupos terroristas são organizações que utilizam a violência ou a ameaça de violência para causar medo generalizado e pressionar governos ou sociedades a alcançar objetivos políticos, ideológicos ou religiosos.

Esses grupos costumam realizar atentados, ataques armados ou outras ações com grande impacto social para chamar atenção internacional e influenciar decisões políticas.

A principal diferença apontada por especialistas é justamente a motivação: enquanto o terrorismo busca objetivos ideológicos ou políticos, o crime organizado tem como foco principal o lucro obtido com atividades ilegais.

Membros do Comando Vermelho armados com fuzis e trajes camuflados em incursão na mata no Rio de Janeiro.
Traficantes do Comando Vermelho, maior facção do Rio de Janeiro, posam com fuzis e roupas camufladas para incursões na mata (Imagem: Reprodução)

O que muda com a classificação

Caso PCC e Comando Vermelho sejam oficialmente incluídos na lista americana de organizações terroristas, os integrantes dos grupos poderão ser alvo de medidas mais rígidas, especialmente fora do Brasil.

Entre as principais consequências estão:

  • bloqueio de ativos financeiros no exterior;
  • cancelamento ou negativa de vistos e possibilidade de deportação;
  • maior isolamento internacional das organizações;
  • restrições para compra de armas, contratação de serviços e movimentação financeira.

De acordo com o governo americano, a classificação também facilitaria a cooperação entre países no combate a essas organizações. Em determinadas situações, a medida pode permitir o uso de recursos de inteligência e até capacidades militares para enfrentar esses grupos em território norte-americano.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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