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Polícia Científica confirma adição irregular de metanol em bebidas apreendidas

Laudo da Polícia Científica descarta origem natural e aponta fraude deliberada na adulteração das bebidas.
Polícia Científica confirma adição irregular de metanol em bebidas apreendidas (Foto: Unsplash)

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica de São Paulo concluiu que o metanol encontrado em bebidas apreendidas durante fiscalizações no estado foi adicionado de forma irregular, e não resulta da destilação natural. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (8) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), com base em laudo técnico elaborado a partir das amostras coletadas pela Polícia Civil.

A substância, altamente tóxica, pode causar cegueira irreversível e morte. Desde o fim de setembro, 16 mil garrafas foram recolhidas com indícios de falsificação ou adulteração. Desde o início do ano, o número chega a 66 mil apreensões.

A SSP afirmou que o IC atua em regime de plantão contínuo, com análises laboratoriais voltadas à constatação e medição das concentrações de metanol, além da documentoscopia de rótulos e lacres. Apesar disso, o órgão não divulgou quantas amostras foram efetivamente testadas, nem os tipos de bebida contaminados.

Mortes e casos em investigação

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), 18 casos de intoxicação por metanol já foram confirmados, com três mortes contabilizadas oficialmente. Outros 158 casos seguem em investigação, assim como sete óbitos ainda não esclarecidos. O total de notificações chegou a 176 ocorrências.

Linhas investigativas e ações de controle

Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (6), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) detalhou que a Polícia Civil trabalha com duas frentes principais:

  • Contaminação com metanol durante a limpeza de garrafas reaproveitadas;
  • Uso intencional de metanol para diluir e aumentar o volume de bebidas adulteradas.

Tarcísio afirmou que a estratégia investigativa parte de locais com registro de contaminação e avança por meio do cruzamento de notas fiscais, rastreando a cadeia de distribuição. “Partimos do bar onde houve a contaminação, cruzamos a nota fiscal para verificar a origem da bebida, qual foi o distribuidor que vendeu, e fazemos a fiscalização”, explicou.

Até agora, 10 estabelecimentos foram interditados, incluindo seis distribuidoras e dois bares com a inscrição estadual suspensa. “Quem não conseguir comprovar de onde sua bebida está vindo vai ter a inscrição estadual cassada”, disse o governador.

Distribuição de antídoto

O governo paulista também informou a aquisição de 2.500 ampolas de etanol, antídoto indicado para intoxicações por metanol. As doses serão distribuídas em 20 hospitais da rede estadual com o objetivo de acelerar o tratamento de pacientes contaminados.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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