Todo fim de ano é a mesma coisa: roupas escolhidas por cor, pratos pensados com cuidado e promessas silenciosas feitas entre um brinde e outro. As superstições atravessam gerações e continuam firmes, mesmo em tempos de tecnologia e informação. Essas crenças ajudam a explicar a forma como diferentes culturas lidam com esperança, renovação e futuro.
Para a taróloga e astróloga Isabela Amante, que também é advogada, a superstição não nasce de um único lugar. Ela é fruto da mistura de povos, religiões e costumes que foram se cruzando ao longo da história. “Algumas têm origem religiosa, outras vêm da crença popular, e muitas acabam perdendo a essência com o tempo, mas continuam sendo praticadas”, explica ao VTV News.
Isabela destaca que essas tradições são democráticas – cada pessoa escolhe aquilo que faz sentido para si. “A superstição respeita um pouquinho de tudo. Ela surge da migração, da imigração, do desenvolvimento cultural e da troca de saberes entre os povos”, afirma. É por isso que tantas práticas comuns no Brasil têm raízes espalhadas pelo mundo.
Herança cultural
Um bom exemplo dessa mistura é a lentilha, prato quase obrigatório na virada do ano. O costume veio com os imigrantes italianos e está ligado à ideia de fartura e prosperidade, já que o grão lembra pequenas moedas. Com o tempo, a tradição foi incorporada ao cardápio brasileiro e ganhou novos significados.
Outras superstições, no entanto, nasceram ou se fortaleceram por aqui, especialmente as ligadas às religiões de matriz africana. Pular sete ondas e tomar banho de mar na virada do ano, por exemplo, estão associados à Umbanda e ao Candomblé, além da saudação a Iemanjá, símbolo de proteção, limpeza espiritual e renovação.
O número sete também aparece com força nessas práticas. Na espiritualidade, ele representa ciclos completos, caminhos abertos e proteção. “O sete é muito forte simbolicamente: Deus criou o mundo em sete dias, e ele também está ligado à prosperidade e à abertura de caminhos”, pontua Isabela.

Cores, comidas e significados
As cores das roupas usadas no Réveillon também carregam simbolismos antigos. O branco, tão comum nas praias brasileiras, é associado à paz, à tranquilidade e ao respeito aos orixás, especialmente Oxalá. A tradição ganhou força a partir das religiões afro-brasileiras e hoje é adotada até por quem não segue nenhuma crença específica.
Na ceia, cada escolha parece carregar uma intenção. No Brasil, é comum evitar aves, já que elas “ciscam para trás”, o que simbolizaria retrocesso. Em contrapartida, o porco é visto como um animal que fareja para frente, representando avanço, crescimento e prosperidade para o ano que começa.
No fim das contas, acreditar ou não nas superstições é uma escolha pessoal. Mas, como lembra Isabela, esses rituais ajudam a marcar o encerramento de ciclos e a chegada de novos começos. Mais do que garantir sorte, eles criam um momento simbólico de reflexão, esperança e desejo de dias melhores.
Principais superstições e seus significados
- Comer lentilha: tradição de origem italiana, simboliza fartura, prosperidade e abundância financeira.
- Pular sete ondas: prática ligada às religiões de matriz africana, representa limpeza espiritual, renovação e abertura de caminhos.
- Usar branco: associado à paz, tranquilidade e proteção espiritual, especialmente em homenagem a Oxalá.
- Evitar carne de aves: acredita-se que aves ciscam para trás, simbolizando retrocesso na vida.
- Comer carne de porco: o porco fareja para frente, representando progresso, crescimento e novos caminhos.
- Carregar folha de louro: vem da mitologia grega, ligada ao deus Apolo, e simboliza vitória, sucesso e glória.
E a roupa? Saiba qual cor usar
Segundo a astróloga, no Ano-Novo, as cores das roupas são tradicionalmente associadas a desejos e energias para o ano que começa. Veja o significado de cada uma:
- Branco: paz, harmonia, equilíbrio e novos começos
- Amarelo: dinheiro, prosperidade, sucesso e boas oportunidades
- Dourado: riqueza, conquistas materiais e crescimento profissional
- Prata: inovação, modernidade, mudanças e proteção
- Vermelho: amor, paixão, energia e intensidade
- Rosa: romance, carinho, amor-próprio e afetividade
- Laranja: entusiasmo, criatividade, coragem e motivação
- Verde: saúde, esperança, equilíbrio e renovação
- Azul: tranquilidade, serenidade, confiança e segurança
- Roxo / Lilás: espiritualidade, intuição, transformação e sabedoria
- Preto: independência, força, sofisticação e novos ciclos
- Marrom: estabilidade, segurança e conexão com a natureza