O número de brasileiros afastados do trabalho por vício em jogos cresceu mais de cinco vezes entre 2023 e 2025. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nesta quarta-feira (28), os casos passaram de 67 para 361 em apenas três anos.
O levantamento considera trabalhadores que receberam benefícios do INSS por incapacidade temporária relacionada à ludopatia, transtorno caracterizado pela dificuldade de controlar o impulso de jogar. Embora a condição envolva diferentes tipos de jogos, as apostas online, conhecidas como bets, ganharam destaque nos últimos anos.
Afastamentos por vício em jogos cresceram mais de 400%
Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram um crescimento contínuo dos afastamentos relacionados ao vício em jogos.
Veja a evolução dos casos:
- 2023: 67 trabalhadores afastados;
- 2024: 157 trabalhadores afastados;
- 2025: 361 trabalhadores afastados.
Entre 2023 e 2025, o aumento foi de aproximadamente 439%. O levantamento considera os benefícios concedidos pelo INSS que apresentavam diagnóstico de jogo patológico, seja como condição principal ou secundária.
Homens de 30 a 39 anos são os mais afetados
O estudo também identificou o perfil dos trabalhadores com vínculo empregatício ativo que receberam o benefício entre 2023 e 2025.
Os homens representaram 71% dos casos, enquanto as mulheres corresponderam a 29%.
A faixa etária mais afetada foi a de 30 a 39 anos, responsável por 44,1% dos registros. Em seguida, aparecem os trabalhadores de 40 a 49 anos (22,8%) e os jovens de 25 a 29 anos (17,1%).
Em relação aos setores profissionais, os serviços concentraram 54% dos afastamentos. A indústria respondeu por 23%, enquanto o comércio registrou 20%.
Vício em jogos pode causar afastamento pelo INSS?
Sim. O vício em jogos pode justificar o afastamento do trabalho quando compromete a saúde e impede temporariamente o exercício das atividades profissionais.
Nesses casos, o trabalhador pode ter direito ao benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, desde que cumpra os requisitos do INSS e comprove a incapacidade para o trabalho.
O transtorno aparece na Classificação Internacional de Doenças (CID) pelo código F63.0, utilizado no levantamento do governo.
Para a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, o crescimento dos casos reforça a necessidade de medidas para proteger a saúde mental da população.
Segundo ela, trabalhadores que procuram nas apostas uma alternativa para melhorar a renda podem acabar enfrentando dívidas e problemas financeiros graves.




