Chega ao fim hoje o XXV Seminário Internacional do Café – Santos Brasil 2026. O evento tem como objetivo reunir especialistas, produtores, pesquisadores e representantes da indústria cafeeira. Esta edição, iniciada na última terça-feira (19), não foi diferente: considerado um dos maiores fóruns do segmento, o evento recebeu representantes de 24 países para três dias de conteúdos e novidades.
Abertura e conexão portuária
A cerimônia de abertura, na noite de terça-feira, reuniu representantes da economia local e empresários portuários. O presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), Mauro Sammarco, pontuou a importância histórica destes 50 anos de seminário:
“Esse seminário se firmou como o maior do setor cafeeiro. São 50 anos de história construída pela visão de empresários que entenderam, antes de muitos, que o café não era apenas um produto, mas um elo que conectaria o Brasil ao mundo”, afirmou.

Foto: José Luiz Borges
Para reforçar os laços entre o setor cafeeiro e o Porto de Santos, o presidente da Autoridade Portuária, Anderson Pomini, comentou que o setor logístico está intrinsecamente ligado à produção e ao transporte dos grãos:
“O Porto de Santos representa 30% da corrente comercial brasileira. É a nossa principal janela de conexão, com 200 países e 600 locais de destino. Se não fosse a força do produtor rural, em especial do café, os portos e a logística nacional não teriam se desenvolvido. Movimentamos no ano passado perto de 190 milhões de toneladas, e 55% desse total se reflete pela força do agro brasileiro. Precisamos oferecer infraestrutura adequada para que o produtor tenha segurança para investir”, afirmou Pomini.
Infraestrutura e investimentos
Na quarta-feira (20), discutiu-se a urgente necessidade de ampliação da capacidade operacional do porto. O painel de Infraestrutura e Logística foi mediado pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, com a participação de Fabrizio Pierdomenico (Agência Porto) e de Pomini. Pierdomenico destacou:
“Os últimos grandes aportes financeiros do poder público em infraestrutura foram a perimetral da margem direita e a dragagem de aprofundamento de 2010 para 2011. Precisamos de modelos de gestão que permitam ao setor público e ao privado terem a mesma velocidade de investimento.”

Foto: José Luiz Borges
Rentabilidade, eficiência e Cafés Especiais
Em outro painel, o debate abordou a busca por maior rentabilidade e eficiência comercial na exportação, com explicações de Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Segundo ele, o objetivo é aumentar a competitividade e a riqueza do país:
“O Brasil detém 40% da produção mundial de café, mas ficamos com receita muito aquém. Apenas como exemplo, nos Estados Unidos, a receita por trabalhador do segmento é de 155 mil dólares. Aqui, é inferior a 3 mil dólares. Geramos receita total por funcionário 53 vezes menor que a americana.”

Foto: José Luiz Borges
Sobre o avanço dos cafés especiais e tendências de consumo, Cardoso provocou o setor a investir de forma mais agressiva em promoção comercial externa:
“A nossa responsabilidade remete ao próximo desafio, que é exportar nosso produto industrializado.”
Desafios Regulatórios e a União Europeia
No último dia, o painel de Regulação pontuou as incertezas provocadas pela implementação da legislação antidesmatamento da União Europeia (EUDR), prevista para entrar em vigor no fim deste ano. O CEO do Cecafé, Marcos Matos, falou sobre as distorções da nova regra:
“Temos propriedades com florestas comerciais de eucalipto, por exemplo, o que já traz um risco de interpretação pela União Europeia. Além disso, o café solúvel ainda não entrou na lista de exceções da moratória, o que exige atenção”, ponderou.