Os rins trabalham silenciosamente todos os dias para filtrar o sangue e eliminar toxinas do organismo, mas quando começam a falhar, muitas vezes os sinais demoram a aparecer e só descobrimos tarde demais. Neste 12 de março, Dia Mundial do Rim, especialistas reforçam o alerta para a doença renal crônica, condição que afeta milhares de brasileiros e exige acompanhamento constante.
No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 170 mil pessoas estão atualmente em diálise, número que cresce ano após ano. O tratamento é necessário quando os rins perdem progressivamente a capacidade de filtrar o sangue.
A doença renal crônica é considerada um importante problema de saúde pública. Entre os principais fatores de risco estão hipertensão, diabetes, uso indiscriminado de anti-inflamatórios e histórico familiar de insuficiência renal.
Hemodiálise
Em muitos casos, quando a doença evolui, o paciente precisa recorrer à hemodiálise, procedimento que substitui parte da função dos rins. Nesse tratamento, o sangue é retirado do corpo, passa por uma máquina que faz a filtragem e depois retorna ao organismo.
Para o procedimento, um dos acessos mais utilizados é o cateter venoso, mas ele também apresenta riscos. Um estudo conduzido por profissionais de enfermagem e publicado na Revista da Escola de Enfermagem da USP aponta que muitos eventos adversos relacionados à hemodiálise estão ligados à obstrução por coágulos ou infecções no cateter, o que pode comprometer o tratamento.

Diante desse cenário, especialistas buscam alternativas que tornem o procedimento mais seguro e duradouro.
Mais qualidade no tratamento
Segundo o cirurgião vascular Dr. Caio Focássio, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, técnicas endovasculares podem ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
“É uma técnica dentro da cirurgia vascular que constrói a fístula, que é o nosso acesso, e a técnica endovascular faz com que ela se mantenha ativa por mais tempo”, explica o médico.
A fístula é geralmente criada no braço do paciente e funciona como uma ligação entre artéria e veia para facilitar o fluxo sanguíneo necessário para a diálise. “Em dois anos a fístula pode fechar, mas há técnicas para mantê-la aberta por mais tempo”, diz o médico.

De acordo com o especialista, o acompanhamento médico periódico é essencial para prolongar o funcionamento do acesso.“Com as técnicas endovasculares, é possível triplicar a vida útil, assistindo esse acesso periodicamente e mantendo a fístula ativa com consultas regulares ao médico vascular”, conclui Dr. Caio.
Além do tratamento adequado, especialistas reforçam como a prevenção e o diagnóstico precoce se tornam aliados fundamentais para evitar que a doença avance de forma silenciosa.
Como cuidar e quando investigar
Manter hábitos saudáveis é uma das principais formas de preservar a saúde dos rins. Especialistas recomendam beber água regularmente, controlar a pressão arterial e a glicemia, reduzir o consumo de sal e evitar o uso frequente de medicamentos sem orientação médica, principalmente anti-inflamatórios.
A prática de atividades físicas e uma alimentação equilibrada também ajudam a prevenir o desenvolvimento da doença renal crônica.
Mesmo sem sintomas aparentes, pessoas com hipertensão, diabetes, histórico familiar de doença renal ou idade acima de 60 anos devem realizar exames periódicos para avaliar a função dos rins, permitindo diagnóstico precoce e acompanhamento médico adequado.