Práticas consideradas inofensivas no dia a dia da cozinha podem estar por trás de infecções alimentares que afetam milhões de pessoas todos os anos. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), publicado no periódico científico Food and Humanity, aponta que erros simples no preparo, armazenamento e higiene dos alimentos continuam sendo comuns nos lares brasileiros.
A pesquisa ouviu cerca de 5 mil pessoas de diferentes regiões do país e analisou comportamentos relacionados à segurança dos alimentos. Os dados indicam que muitos casos de doenças transmitidas por alimentos (DTAs) têm origem dentro de casa, e não apenas em restaurantes ou estabelecimentos comerciais.
Segundo a cientista de alimentos Emília Maria França Lima, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e uma das autoras do estudo, os resultados mostram um cenário preocupante. “Grande parte das pessoas ainda adota práticas inadequadas na manipulação de alimentos, muitas vezes por falta de informação ou por hábitos transmitidos culturalmente”, destaca.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DTAs afetam cerca de 600 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Entre os principais agentes estão bactérias como Salmonella, Escherichia coli e Staphylococcus aureus, responsáveis por quadros de gastroenterite, vômito, diarreia, náusea e desidratação, especialmente perigosos para crianças e idosos.
Erros mais comuns começam antes mesmo do preparo
O levantamento mostra que os riscos começam ainda no supermercado. A maioria dos entrevistados afirmou não utilizar bolsas térmicas para transportar alimentos refrigerados ou congelados, o que favorece a multiplicação de micro-organismos, especialmente em dias quentes. Outro problema recorrente é a compra de produtos congelados com sinais de descongelamento, como embalagens danificadas ou excesso de cristais de gelo.
Em casa, a falta de atenção à higiene das mãos aparece como um dos principais fatores de contaminação cruzada. O uso de pano de prato para secar as mãos, prática comum entre os participantes, também foi associado à presença de bactérias em utensílios e superfícies da cozinha.
11 práticas que ajudam a evitar infecções alimentares
Com base nos resultados do estudo, especialistas reforçam medidas simples que reduzem significativamente os riscos à saúde:
- Utilizar bolsas térmicas para transportar alimentos refrigerados ou congelados;
- Verificar a integridade das embalagens e as condições dos freezers no momento da compra;
- Lavar corretamente as mãos antes de cozinhar e após contato com alimentos crus;
- Evitar o uso de pano de prato para secar as mãos e trocá-lo com frequência;
- Não lavar carnes cruas, especialmente frango, antes do preparo;
- Usar tábuas de corte diferentes para carnes e vegetais;
- Higienizar frutas, verduras e legumes da forma correta, com solução clorada;
- Evitar o consumo de ovos crus ou mal cozidos;
- Não descongelar carnes em temperatura ambiente;
- Armazenar corretamente os alimentos após o preparo;
- Não deixar sobras fora da geladeira por mais de duas horas;
Os pesquisadores reforçam que a informação é uma das principais aliadas da prevenção. Pequenas mudanças de hábito no cotidiano da cozinha podem reduzir de forma significativa a ocorrência de doenças alimentares e garantir refeições mais seguras para toda a família.