Aparecido Sidney de Oliveira, fundador da rede Ultrafarma, foi preso em São Paulo durante a Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público estadual para desarticular um esquema de corrupção que teria manipulado decisões fiscais em favor de grandes empresas do varejo. Segundo as investigações, um auditor teria recebido propina para interferir em processos administrativos, o que pode ter gerado prejuízo superior a R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
A Ultrafarma, criada por Sidney em 2000, consolidou-se como líder nacional nas vendas online de medicamentos, especialmente genéricos. A empresa cresceu apostando em televendas, preços agressivos e entrega domiciliar — modelo que atraiu mais de um milhão de clientes ativos. Apesar da notoriedade, a trajetória empresarial de Sidney é marcada por embates com concorrentes, órgãos públicos e o Judiciário.
O empresário foi condenado por receptação de medicamentos roubados e falência fraudulenta. Também enfrentou acusações de sonegação fiscal, além de ser multado e investigado por contratações ilegais via cooperativas. Em 2011, o então presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias, Sérgio Mena Barreto, afirmou que a Ultrafarma representava “a ponta mais vistosa de um iceberg de informalidade que tomou conta do setor farmacêutico”.
Ascensão no varejo e estratégia de imagem
Natural de Nova Olímpia (PR), Sidney iniciou sua trajetória no balcão de uma farmácia ainda na infância. Na adolescência, passou a vender remédios de porta em porta e, aos poucos, formou uma rede de doze lojas no Paraná. Após vender os pontos e se mudar para São Paulo, tentou se estabelecer com a marca Drogavida, sem sucesso. A virada veio após viagens ao exterior, onde se inspirou em modelos de televendas e entrega utilizados nos EUA e na Europa.
O resultado foi a fundação da Ultrafarma, com foco em genéricos e forte apelo popular. Desde o início, Sidney personificou a marca: participou diretamente de campanhas publicitárias e associou sua imagem à credibilidade da empresa. Esse vínculo tornou-o figura onipresente em comerciais, embalagens e fachadas, mas também tornou a reputação do negócio vulnerável a qualquer escândalo pessoal.

Empresa expandiu, mesmo sob pressão
A estratégia comercial da Ultrafarma gerou atritos no setor. Fabricantes contestaram campanhas que divulgavam parcerias inexistentes, enquanto concorrentes acusavam a empresa de práticas predatórias. Em 2005, o Ministério Público do Trabalho determinou a regularização de 900 funcionários contratados por meio de cooperativas.
Mesmo diante das controvérsias, a Ultrafarma recebeu prêmios como o Top of Mind Internet, diversificou seus produtos — com destaque para a linha de suplementos Sidney Oliveira, considerada a maior do país — e lançou iniciativas como a Ultrafarma Popular e as Óticas Ultrafarma.
Apesar de não haver dados públicos sobre a riqueza do empresário, a projeção de faturamento da empresa em 2023 ultrapassou os R$ 3 bilhões.