A Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação judicial do Grupo Habib’s. Com um passivo declarado de R$ 265,2 milhões, a holding controladora da rede de fast-food busca reorganizar suas finanças para assegurar a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial do processo. Antes do deferimento, o grupo já havia obtido uma medida cautelar que suspendeu por 60 dias execuções e cobranças contra a Gennius Brasil, holding que administra a marca.
Operações mantidas
Em nota oficial, o Grupo Habib’s informou que a medida faz parte do processo de reestruturação e garantiu que o atendimento ao público não será afetado:
“O Grupo Habib’s teve seu pedido de Recuperação Judicial deferido como parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo. As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, comunicou a empresa.
Cenário econômico
Segundo a empresa e analistas do setor, a crise é resultado da combinação de fatores internos e externos acumulados nos últimos anos.
A situação já vinha motivando um plano de corte de custos, que resultou no encerramento de lojas em capitais e no interior de São Paulo (como São José do Rio Preto e Limeira) e de Minas Gerais (como Passos).
Entre os principais fatores que levaram ao endividamento estão:
- Compressão de margens: A estratégia histórica de praticar preços baixos com margens de lucro reduzidas tornou-se insuficiente para absorver a alta dos custos operacionais.
- Custo estrutural elevado: A manutenção de grandes pontos comerciais físicos — especialmente lojas de rua administradas pela Gennius Brasil — gerou despesas fixas pesadas e perdeu eficiência frente às novas dinâmicas de mercado.
- Mudança nos hábitos de consumo: A migração acelerada do público para aplicativos de entrega reduziu o fluxo de clientes nas unidades físicas.
- Cenário macroeconômico: Os reflexos acumulados desde a pandemia de Covid-19 e o encarecimento do crédito gerado pela taxa Selic em patamares elevados agravaram a situação financeira do grupo.
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