Após a repercussão internacional do Pix e o comentário do ex-deputado Eduardo Bolsonaro sugerindo levar o Zelle (sistema de transferência bancária dos Estados Unidos) para a mesa de negociações com os americanos, muitos internautas começaram a se perguntar sobre as diferenças entre as duas plataformas.
Para esclarecer o assunto, o economista Gil do Vigor publicou em suas redes sociais uma explicação detalhada sobre o funcionamento de cada sistema. Afinal, qual deles é o melhor e por que os dois países entraram em rota de colisão por causa disso?
Infraestrutura pública vs. Iniciativa privada
De acordo com o economista, a principal diferença reside no fato de o Pix ser gerido pelo Banco Central do Brasil, enquanto o Zelle pertence à iniciativa privada norte-americana. Além disso, a estrutura operacional de ambos é completamente diferente.
“Eu conheço a estrutura e não tem nada a ver com o Pix. E qual é a maior diferença? O Pix faz parte do nosso dia a dia. Você vai ao restaurante e paga como? Através do Pix. Você paga aluguel, restaurante, mercado, tudo através do Pix. […] Então, basicamente, o Pix virou a infraestrutura do nosso dia a dia”, explica Gil.
O economista compara o Zelle ao TED (comumente usado no Brasil para transferir dinheiro entre bancos diferentes). Outra grande divergência está no imediatismo: o Pix funciona instantaneamente, a qualquer dia ou horário, o que não ocorre da mesma forma no sistema americano.
“O Zelle é uma iniciativa privada, então não tem tantas facilidades como o Pix”, complementa. Gil usou como exemplo uma ida ao restaurante ou à farmácia, locais que aceitam o Pix facilmente, mas onde o Zelle não costuma ser uma opção viável de pagamento direto.
“O Pix é uma potência porque é utilizado por mais de 170 milhões de brasileiros, movimenta trilhões de reais por ano e é um dos sistemas mais eficientes do mundo. E é aberto para quem quiser”, destaca o economista.
A fala de Eduardo Bolsonaro e as tensões comerciais
A discussão ganhou força após os Estados Unidos anunciarem o resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório afirmou que a ampla utilização do Pix prejudica o mercado das empresas americanas de pagamentos eletrônicos e serviços digitais.
Após a divulgação do documento, o governo norte-americano passou a ameaçar o Brasil com a imposição de uma nova tarifa comercial de 25% sobre produtos brasileiros. Diante do cenário, Eduardo Bolsonaro apontou o Zelle como um mecanismo semelhante que poderia ser usado para argumentar e negociar com o governo americano, gerando grande debate nas redes sociais.