O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, classificou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre as eleições brasileiras como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. A manifestação foi divulgada após o argentino publicar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais e questionar a possibilidade de irregularidades no processo eleitoral.
Na publicação, Milei comentou um trecho de uma entrevista de Lula e afirmou esperar que a “última artimanha suja da campanha” do petista não envolva fraude eleitoral.
“Progressistas machistas. Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos. A máscara desses criminosos está caindo… Espero que a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição… esquerdista ladrão”, escreveu o presidente argentino.
A declaração faz referência a uma entrevista concedida por Lula durante sabatina no SBT, na segunda-feira (19), quando o candidato à reeleição presidencial abordou a escala de trabalho 6×1 e os impactos da jornada sobre as mulheres.
Itamaraty reage a declarações sobre o sistema eleitoral
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que as declarações de Milei também foram dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema brasileiro de voto eletrônico. O órgão classificou a manifestação como “antidemocrática”, além de afirmar que ela não condiz com a postura esperada do chefe de Estado de um país amigo.
O Itamaraty também acusou o presidente argentino de reiterar informações falsas disseminadas por pessoas que perderam as eleições anteriores e protagonizaram a tentativa de golpe militar mencionada no comunicado.
A nota defendeu a segurança do sistema brasileiro de votação eletrônica e afirmou que observadores eleitorais internacionais já haviam ratificado essa realidade no primeiro turno das eleições.
“O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”, diz o comunicado.
Ao final, o ministério ressaltou que a decisão sobre o futuro do país cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros e deve ocorrer sem interferência externa, nas urnas, no domingo, dia 25.
Confira o vídeo da sabatina:




