Não há como ignorar ou se fazer de desentendido, todos nós sabemos que fumar é um péssimo hábito para a saúde e, também, para as finanças.
Há fumantes que alardeiam, de forma triste e muitas vezes arrependidos, que já gastaram em cigarros, ao longo da vida, o equivalente a um carro ou a um apartamento.

Prejuízo à saúde
Se a consciência revela um prejuízo econômico sem fim, a saúde também faz a sua parte, dando alertas a todo momento, desde ao fumante iniciante ao mais inveterado deles. Não há como escapar e, a pergunta que se faz não é “se”, mas “quando” os malefícios do cigarro irão aparecer.
E certamente, eles aparecerão e não são nada agradáveis: a respiração fica cada vez mais difícil, o cansaço físico se acentua, e a tosse e o pigarro acabam por fazer parte da vida do fumante. Isso sem contarmos o amarelado dos dentes e o cheiro de cigarro impregnado nas roupas.
Para piorar o que já era ruim, inúmeras doenças pulmonares (desde o enfisema pulmonar ao câncer de pulmão) completam o cardápio das terríveis possibilidades que podem acometer os fumantes.

Vício
Se as evidências são tão óbvias e os prejuízos financeiros e de saúde também, deixar de fumar não é nada fácil. Muito pelo contrário, é uma tarefa hercúlea e aterradora para aqueles que decidem abandonar uma vida de fumaça e nicotina.
Fumar é uma vício tanto quanto o alcoolismo, a maconha, a cocaína e outros mais. Não é preciso um QI muito elevado para se chegar a essa conclusão, mas mudar de atitude, mudar de comportamento e resistir a um vício é muito difícil.

Quantos de nós já não tentamos deixar de fumar e, passado alguns dias ou semanas, lá estamos nós, fumando e prometendo a nós mesmos que esse será “o último cigarro” ?
Como qualquer adicto que se preze, as recaídas são mais do que prováveis. E o fumante reincidente sente-se a pior criatura da terra por não ter conseguido livrar-se de um vício que nunca imaginou fosse tão difícil de largar.
E como ter uma vida saudável é um imperativo, pululam na internet inúmeros métodos que garantem a solução e o fim do tabagismo. De homeopatas a naturopatas, das pastilhas de goma à acupuntura, tenta-se de tudo.
“Milagreiro”
Em Terras Lusas, desde 2005, cobrando 100 euros por sessão, na cidade de Beja, Rogério Guerreiro é o homem dedicado a acabar com o desejo de fumar de seus pacientes.
Naturopata com formação em psicologia e autodidata, como gosta de dizer, faz as vezes do milagreiro de plantão. Seu método é designado de “terapia de regulação eletrostática” que ele mesmo nomeou como o “Método Guerus”.
Segundo ele, a eletricidade estática é um fenómeno de acumulação de cargas elétricas que pode manifestar-se em diferentes materiais. Seu trabalho de pesquisa resultou num “processo com a finalidade de restabelecer parametrização dos valores da energia electroestática no organismo humano”.

Conhecido como o Bruxo de Beja, ele afirma que usa a carga estática do próprio organismo do fumante. “Só que estamos a usar pontos específicos para a canalizar. Por exemplo, na orelha não há ‘choque’, é apenas indução estática. Já o nariz recebe os tais ‘choques”.
A romaria de fumantes à cidade de Beja é considerável e já chamou a atenção de outros fumantes europeus. Não é nada incomum encontrar na lista de espera para uma consulta uma quantidade razoável de fumantes vindos da Espanha, Itália e até da Suécia.
Se há quem diga que o método funciona e a vontade de fumar desapareceu com os choques (Rogério diz que sua métrica de sucesso beira s 95%). Há outros tantos que voltaram a fumar após alguns meses.
Escrevo essa coluna inspirado no caso de um primo que já está em sua segunda ida à clínica de Rogério para tentar, mais uma vez, parar de fumar. Passado quase um mês de sua consulta, liguei para perguntar se, dessa vez, o método havia funcionado. E a resposta foi: “Minha vontade de fumar diminuiu e estou sem fumar”.
Pelo sim, pelo não, fumar é péssimo negócio. E quanto mais rápido fugirmos da armadilha da indústria tabagista, melhor.