O avanço de um ciclone extratropical no Atlântico Sul mantém cidades do litoral e do interior paulista em alerta nesta semana. O sistema atua em conjunto com frentes frias e favorece chuvas volumosas, rajadas de vento e agitação marítima, ampliando o risco de alagamentos, quedas de árvores e transtornos urbanos.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alertas para esta quinta-feira (26) e sexta-feira (27), com orientação para atenção redobrada em áreas de encosta e regiões sujeitas a alagamentos. O órgão recomenda evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores durante rajadas de vento e acionar o 199 em caso de emergência.
Como o ciclone se forma e quais são os riscos
Apesar da repercussão, o fenômeno não é incomum no Atlântico Sul. De acordo com o engenheiro ambiental e professor da Estácio, Robson Costa, os ciclones extratropicais sempre fizeram parte da dinâmica climática da região, especialmente próximos à Argentina, Uruguai e ao Sul do Brasil.
“O que mudou foi a frequência com que eles se formam ou se deslocam muito próximos ao litoral brasileiro, impulsionados pelo contraste térmico entre massas de ar polar e massas de ar tropical, que está mais acentuado”, explica Robson.

Segundo o especialista, o sistema se forma justamente a partir desse choque entre massas de ar frio e quente. Quando o contraste é maior, os ventos se intensificam e o ciclone passa a concentrar grandes volumes de umidade.
“O ciclone funciona como uma ‘bomba’ que puxa umidade, causando inundações e deslizamentos de terra. Outro impacto relevante é a ressaca marítima, quando o vento intenso empurra a água contra a costa, dificultando a navegação e acelerando a erosão das praias”, afirma.
O que é o “ciclone bomba” e por que ele preocupa
Os ciclones extratropicais costumam ser mais frequentes e intensos no outono e no inverno, quando o contraste entre massas de ar frio e quente se torna mais acentuado. Segundo o engenheiro ambiental Robson Costa, o aquecimento das águas do mar pode potencializar esses sistemas. “O aumento da temperatura da superfície do mar fornece mais energia para a atmosfera. Quanto maior a energia disponível, mais profundo é o centro de baixa pressão do ciclone, resultando em ventos mais destrutivos e chuvas recordes”, diz.
Dentro desse contexto surge o termo “ciclone bomba”, expressão popular para a chamada ciclogênese explosiva, que é quando o sistema se intensifica de forma muito rápida.
“O fenômeno ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai de forma muito rápida, pelo menos 24 milibares em 24 horas. Essa queda brusca intensifica significativamente os ventos e torna o sistema mais violento e súbito do que um ciclone extratropical comum, aumentando o potencial de danos”, finaliza o engenheiro.