A campeã olímpica Ana Marcela Cunha fez história na natação em águas abertas. Nesta quarta-feira (22), a nadadora de 34 anos completou a travessia do Canal da Mancha, que separa a Inglaterra da França.
A brasileira nadou cerca de 42,9km em 8h25m29s e estabeleceu o novo o recorde sul-americano entre homens e mulheres. Além disso, o feito também é o mais rápido do mundo entre homens e mulheres desde 2022.
“Acredito que, óbvio, a medalha olímpica é uma conquista muito profissional e no auge do atleta é a maior conquista que você pode ter na vida. Mas acho que quando você realiza sonhos, mesmo não sendo uma medalha olímpica, vale muito. É o caso de hoje, algo que eu sempre quis também. Para mim vale tanto quanto. Não é só o ouro olímpico, não são somente as 17 medalhas em mundiais. Sei que tudo isso está na história. Mas essa travessia era um sonho muito pessoal, de criança. Ter atravessado e ter realizado esse sonho é de extrema importância para minha vida. Estou muito, muito feliz”, disse a nadadora.
Principal objetivo da temporada
Ana Marcela possui 16 medalhas em Mundiais, além do ouro olímpico em Tóquio. O principal objetivo da nadadora nesta temporada era completar a tradicional travessia do Canal da Mancha, considerada a mais difícil da natação em águas abertas.
“Foi um momento de curtição. Independente de todos os fatores, de onda que teve, de umas três caravelas que eu peguei, mas graças a Deus não foi nada que me prejudicou, só uns encontros ali bem tranquilos. Nada demais. Já tinha experiência de nadar provas longas. Isso me trouxe bastante tranquilidade, de conhecer bastante o mar, saber para onde eu estava indo, sentir a correnteza. Acho que isso me deixou mais tranquila. Estou cansada, mas muito feliz e realizada”, comentou a brasileira.
Um barco acompanhou nadadora brasileira. A bordo estavam Kafu (técnico da nadadora), Igor de Souza (guia brasileiro que é referência no Canal da Mancha), um barqueiro, um árbitro responsável pela homologação, um representante do Guinness World Records e um videomaker.
Preparação
A brasileira fez uma preparação voltada para a travessia do Canal da Mancha. Ela fez um simulado de 12 horas e 42km de natação durante a noite, na Represa Billings, em São Paulo. Além disso, se adpatou ao frio em uma piscina do Sesc Petrópolis, treinando em águas com temperatura próxima aos 17°C.
Apesar da presença de um representante do Guinness no barco, Ana Marcela não tinha o recorde mundial como um objetivo. A tcheca Yvetta Hlavácová completou a travessia em 7h25min, em 2006, e tem o recorde feminino. Já o alemão Andreas Waschburger, com 6h45min em 2023, possui a melhor marca entre os homens.
“Todos os profissionais que estavam no barco me passaram tranquilidade e firmeza naquilo que a gente estava fazendo. Eles estavam fora, vendo melhor que eu, entendem melhor que eu. Dentro da água a gente não vê muito. Então só fui indo. Em alguns momentos acelerei o ritmo de braçada para me manter em uma média confortável e boa. Foi tudo tranquilo”, disse a campeã olímpica.
