Flávia Saraiva conquistou a medalha de bronze na trave no Mundial de Ginástica Artística neste domingo (25), em Roterdã, na Holanda. A brasileira garantiu o terceiro lugar no pódio com a nota de 14,300 pontos (6,100 de dificuldade e 8,200 de execução). Mesmo com um leve desequilíbrio durante a série, ela assegurou a sua primeira medalha no aparelho em um torneio desse porte.
Dessa forma, o resultado histórico coroa uma década de dedicação da atleta na modalidade. Além disso, a ginasta carioca se tornou a segunda atleta do país a faturar um pódio na prova de equilíbrio, feito conquistado anteriormente apenas por Rebeca Andrade em 2023.
Disputa acirrada pelo ouro teve empate técnico na pontuação
Enquanto isso, a decisão pelo topo da classificação exigiu atenção milimétrica da arbitragem. A argelina Kaylia Nemour cravou 14,566 pontos e assumiu o primeiro lugar. Por sua vez, a chinesa Zhang Qingying apresentou a última série do dia e alcançou exatamente a mesma nota final.
No entanto, o critério de desempate deu a vitória para a atleta da Argélia. Nemour levou a medalha dourada porque obteve uma nota de execução superior (8,266 contra 8,066 da rival). Consequentemente, a ginasta chinesa ficou com a prata.
Declaração de Flávia Saraiva celebra superação e alívio
Logo após a cerimônia de premiação, Flávia Saraiva comentou sobre o nível de exigência na disputa por medalhas e destacou o planejamento técnico adotado para a final.
“Na final não tem estratégia, era fazer o maior nível de dificuldade possível, porque a gente já viu que na classificatória já tinha sido notas muito altas para poder entrar. Acho que foi uma das finais de trave mais difícil para poder entrar nos últimos tempos. Já sabia que a final ia ser difícil. Sabia que tinha que fazer todas as minhas dificuldades para poder brigar. Sei que dava para ser um pouquinho melhor se não tivesse aquele desequilíbrio no mortal lateral, mas a gente entende que faz parte, é o nervosismo também na nossa barriga. Mas fico muito feliz com essa medalha, finalmente consegui depois de 10 anos tentando. Me dá um alívio, mas agora eu quero mais.”
Ademais, a atleta expressou a emoção de subir ao pódio após anos de trabalho intenso na ginástica artística.
“Representa uma menina de 16 anos na sua primeira final, muito orgulhosa de ter treinado 10 anos e ter conquistado a sua primeira medalha na trave em campeonato Mundial. Me sinto muito feliz, muito orgulhosa, foi um trabalho muito bem feito, estratégias muito bem usadas para colocar o máximo de dificuldade para que pudesse vir o resultado. A gente sabe que a final é difícil, todo mundo lutando por cada décimo. Queria muito aproveitar essa oportunidade, fazer o meu melhor e ter mais uma medalha para o Brasil e para mim também. É uma honra poder representar o meu país.”
Trajetória da brasileira no Mundial de Ginástica
Anteriormente, o melhor desempenho de Flávia Saraiva na final da trave havia sido o quarto lugar no torneio de 2025, sediado em Jacarta. Na fase classificatória da atual edição holandesa, ela já despontava entre as favoritas ao avançar com a terceira melhor marca (14,400 pontos).
Além do mais, a ginasta completou uma semana intensa de competições na Holanda. Ela disputou o individual geral, prova em que finalizou no 12º lugar, e ajudou a equipe brasileira a alcançar a quinta posição geral. Com a conquista deste domingo, a atleta soma três medalhas na história da competição, juntando o novo resultado à prata por equipes e ao bronze no solo obtidos em 2023.
Brasil encerra a competição com duas medalhas
Com essa vitória, a delegação brasileira finaliza a campanha em Roterdã com dois pódios no quadro geral. No sábado (24), Rebeca Andrade venceu a prova do salto e faturou o tricampeonato mundial.
Portanto, a equipe nacional conclui o torneio com saldo positivo e projeta o ciclo de olho nas vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, que terão definição inicial na edição de 2027.
Classificação final da trave feminina
- Kaylia Nemour (Argélia): 14,566
- Zhang Qingying (China): 14,566
- Flávia Saraiva (Brasil): 14,300
- Elena Colas (França): 14,100
- Manila Esposito (Itália): 14,066
- Skye Blakely (Estados Unidos): 13,633
- Qiu Qiyuan (China): 13,633
- Okamura Mana (Japão): 12,666




