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Neve artificial? Olimpíadas de Inverno de 2026 lidam com o aquecimento global

Marcados por cenários brancos e temperaturas extremas, os Jogos Olímpicos de Inverno sempre foram um espetáculo à parte para atletas e espectadores dos esportes praticados na neve. No entanto, na edição deste ano, Milão-Cortina 2026, que tem início nesta sexta-feira (6), os organizadores e competidores já encaram um cenário diferente do tradicional. A causa é clara: o aquecimento global.

Não é de hoje que as consequências das mudanças climáticas se tornam cada vez mais presentes no cotidiano. Ondas de calor mais intensas, eventos extremos e a redução de fenômenos naturais antes previsíveis já fazem parte da realidade e, agora, também afetam diretamente o universo esportivo, especialmente as competições de inverno, que dependem de baixas temperaturas e grandes volumes de neve.

Essa transformação é evidente no norte da Itália, região que vai sediar a maioria das modalidades dos Jogos Olímpicos de Inverno. Um grupo de pesquisadores europeus analisou a incidência de neve nos Alpes ao longo dos últimos 100 anos e constatou uma redução de 34% na cobertura de neve em apenas um século.

Produção de neve em Pequin (Imagem: Techno Alpin/ Reprodução)

Mudanças nas estruturas das competições

Diante da redução significativa da neve natural, a janela para a realização das competições dos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026, aponta que terá estreitamentos, já que o derretimento acelerado compromete a qualidade das pistas, afeta o desempenho dos atletas e aumenta os riscos durante as provas, o que, em alguns casos, leva até ao cancelamento de eventos.

Numa tentativa de contornar esse cenário, as provas vão depender majoritariamente de neve artificial. A organização prevê a produção de cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de “neve técnica”, o equivalente a aproximadamente 80% do total utilizado nos Jogos, especialmente em Bormio, sede do esqui alpino, e em Livigno, onde ocorrem as disputas de esqui freestyle e snowboard.

Apesar de garantir a realização das competições, o uso intensivo de neve artificial traz novos desafios. A produção exige um alto consumo de recursos naturais: serão utilizados 946 milhões de litros de água, volume equivalente a 380 piscinas olímpicas. No entanto, a estrutura projetada acaba por gerar pistas mais duras e velozes, o que aumenta o risco de lesões entre os atletas e reforça o impacto ambiental do evento.

Vale ressaltar que esportes no gelo, não apenas na neve, também sofrem drasticamente com as mudanças climáticas e adaptações nas competições.

Atento aos impactos ambientais, o Comitê Olímpico Internacional (COI) implementou padrões de sustentabilidade e estabeleceu metas para reduzir a poluição e preservar a realização dos Jogos no futuro.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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