A Ponte Preta precisará recorrer a empréstimos para quitar compromissos financeiros e organizar o planejamento da próxima temporada. A informação foi confirmada pelo vice-presidente e diretor de futebol, Marco Antônio Eberlin, que reconheceu as dificuldades econômicas enfrentadas pelo clube.
A prioridade da diretoria, neste momento, é evitar novos atrasos salariais e montar o elenco para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista em 2027.
Em entrevista durante um evento na Federação Paulista de Futebol (FPF), Eberlin afirmou que o presidente Luiz Antônio Alves Torrano trabalha para conseguir recursos e manter os pagamentos em dia. Segundo o dirigente, entretanto, a Macaca não possui condições de quitar todas as dívidas de uma só vez.
“Quando eu falo de honrar o compromisso, é quitar o que tem a Ponte Preta hoje. Quem está no clube hoje e quem for ficar para o ano que vem. Não há viabilidade para quitar tudo. É praticamente impossível. Para se zerar, para começar um ano bom e ter um time competitivo, não tem outra alternativa senão empréstimos”, declarou.
A apresentação do elenco para a próxima temporada está prevista para 7 de dezembro. Até lá, a diretoria pretende organizar as finanças e garantir condições para iniciar a preparação da equipe.
SAF é a solução?
Durante a entrevista, Eberlin também voltou a mencionar a proposta de investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O projeto, que acabou rejeitado pelos associados, poderia representar uma alternativa para amenizar a crise financeira, na avaliação do dirigente.
“Se estivéssemos com a SAF, a Ponte estancava a hemorragia financeira. Mas uma minoria trabalhou contra o clube. É uma situação que não queríamos”, afirmou.
A proposta provocou divergências entre integrantes da diretoria e grupos contrários ao projeto. Com a rejeição, a Ponte precisa buscar outras alternativas para levantar recursos e manter seus compromissos.
Dívida e rebaixamentos aumentam pressão
O cenário financeiro da Macaca é delicado. Um levantamento realizado durante as negociações envolvendo a SAF apontou uma dívida próxima de R$ 320 milhões, além de aproximadamente R$ 20 milhões em débitos relacionados ao IPTU. O déficit mensal do clube foi estimado em R$ 2,8 milhões.
Além dos problemas financeiros, a temporada de 2026 terminou com dois rebaixamentos. A Ponte caiu no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro. Dessa forma, disputará a Série A2 estadual e a Série C nacional em 2027.
Ao comentar o futuro do clube, Eberlin destacou a necessidade de reorganização administrativa e financeira para recuperar a competitividade.
“Precisamos de um norte, retomar um crescimento e buscar voltar a ser um clube protagonista. Isso demanda uma organização financeira melhor, uma programação, um planejamento para o futuro”, concluiu.





