Um medicamento amplamente utilizado no tratamento da pressão arterial alta pode ter uma atuação direta relacionada ao metabolismo energético.
Cientistas descobriram que a losartana consegue estimular a atividade da gordura marrom, um tecido especializado do organismo capaz de gastar calorias para produzir calor (termogênese).
O estudo foi publicado no periódico científico Nature em 14 de outubro de 2026 e foi conduzido por pesquisadores de instituições de referência nos Estados Unidos, incluindo a Universidade Rockefeller e a Weill Cornell Medicine.
A investigação utilizou dados médicos de mais de 100 mil pacientes com câncer, além de ensaios pré-clínicos em camundongos e células cultivadas em laboratório.
Radiografia dos Dados
A pesquisa examinou registros de exames de PET de 101.243 pacientes atendidos no Memorial Sloan Kettering Cancer Center entre 2018 e 2024. O levantamento revelou que:
- Prevalência no grupo: A gordura marrom — tecido que se diferencia da gordura branca por queimar energia em vez de armazená-la — foi identificada em 8.897 pessoas, o equivalente a pouco menos de 9% da amostra.
- Marcadores clínicos: Pessoas com gordura marrom ativa apresentaram menor frequência de diabetes tipo 2 e de doença cardíaca isquêmica crônica, além de menores probabilidades de registros de ansiedade e depressão.
Análise do fármaco
A análise também avaliou 125 medicamentos utilizados pelos pacientes no mês anterior aos exames, constatando que 39 apresentaram alguma associação com a presença do tecido adiposo marrom.
A losartana se destacou entre as substâncias associadas positivamente: 2,4% dos pacientes com gordura marrom utilizavam o remédio, ante 1,9% daqueles que não apresentavam o tecido. A valsartana, fármaco da mesma classe terapêutica, também apareceu relacionada à presença da gordura marrom.
Cautela: emagrecimento ainda não está comprovado
Apesar dos achados biológicos, os pesquisadores ressaltam que o resultado ainda não permite afirmar que o remédio provoque perda de peso em humanos.
Nos experimentos com animais, a administração da losartana aumentou o gasto energético, mas a aceleração metabólica não produziu redução significativa do peso corporal. Novas investigações científicas são necessárias para avaliar o real impacto clínico do achado.
*Com informações de O Globo
