A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última sexta-feira (6) a projeção principal para a próxima temporada de dengue no Brasil: a expectativa é de cerca de 866 mil casos prováveis.
O volume se mantém no mesmo patamar registrado entre 2025 e 2026.
No entanto, o impacto de um possível “super El Niño” durante o verão ainda divide especialistas e pode alterar esse cenário. As previsões baseadas no fenômeno climático revelam dois quadros distintos:
- Região Sul: os modelos que consideram o El Niño indicam, com maior consistência, um aumento no risco e um número de casos superior à média nacional projetada.
- Demais Regiões: o impacto do clima permanece incerto, com modelos apontando cenários divergentes — desde a alta na transmissão até variações menores do que o esperado.
Segundo a Fiocruz, embora o aquecimento das águas do Pacífico aumente os riscos ambientais para a proliferação do Aedes aegypti, a precisão sobre a dimensão desse impacto em cada estado ainda exige cautela.
Alerta El Niño
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou um boletim com o monitoramento, as previsões e os possíveis impactos do fenômeno El Niño no Brasil. O documento, publicado em agosto deste ano, acendeu o alerta sobre as condições climáticas dos próximos meses.
De acordo com o relatório, as projeções apontam para uma elevada probabilidade de o evento atingir intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão, devendo-se manter ativo até o início de 2027.
Esse cenário aumenta consideravelmente o risco de impactos hidrometeorológicos (como chuvas intensas ou secas severas), cuja gravidade e distribuição dependerão do comportamento da atmosfera e dos oceanos nas próximas semanas.
O que é o El Niño?
Trata-se de um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Essa elevação de temperatura enfraquece os ventos alísios e altera a circulação de ar na atmosfera, modificando os padrões pluviométricos e favorecendo o aumento da temperatura média em todo o planeta.
Na prática, o fenômeno redistribui os volumes de chuva, provocando secas severas em regiões como o Nordeste brasileiro e tempestades volumosas no Sul do país.




