A Justiça do Paraguai decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. A medida foi confirmada no sábado (7) e atende a um pedido do Ministério Público no âmbito das investigações sobre o colapso do Ueno Bank.
Peña foi preso na noite de sexta-feira (6) e inicialmente cumpriu prisão domiciliar. Após os desdobramentos deste final de semana, ele foi encaminhado ao Regimento de Escolta Presidencial, instalação militar em Assunção.
Ainda de acordo com a Justiça paraguaia, ele continuará preso na instalação sob a justificativa de preservar sua integridade física.
Ao fundamentar o pedido, o magistrado destacou o risco de fuga e de interferência nas apurações. O juiz ressaltou ainda que Peña teve acesso a informações estratégicas do sistema financeiro e de combate ao crime organizado durante a sua gestão na Presidência, o que reforça a necessidade da manutenção da custódia na unidade militar.
Entenda o colapso do Ueno Bank
Cerca de 3 milhões de clientes do Ueno Bank, quase metade da população paraguaia, estimada em 6,4 milhões de habitantes, perderam o acesso às contas e ficaram impossibilitados de sacar dinheiro.
O estopim da crise ocorreu após o Banco Central do Paraguai (BCP) anunciar uma intervenção na administração do banco digital e determinar sua liquidação, com o objetivo de conter os prejuízos aos correntistas.
A medida foi adotada após o índice de solvência da instituição ficar abaixo do mínimo exigido pela regulamentação. A situação foi agravada pela concessão excessiva de empréstimos irregulares, que ultrapassaram as reservas de capital do banco.
Índice de solvência: indicador contábil que mede a capacidade de uma empresa honrar suas dívidas com base no total de seus ativos.
Além de atender a uma parcela expressiva da população, a instituição administrava recursos do Ministério da Economia e Finanças e do Instituto de Previdência Social (IPS).
Ligações políticas e suspeitas de favorecimento
A crise financeira atingiu diretamente o governo em razão do histórico empresarial de Santiago Peña. O mandato do então presidente começou em 2023 e tinha previsão de término em 2028.
Peña figurou como acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março do ano passado.
Diante desse histórico, a oposição e setores críticos ao governo acusam Peña de ter favorecido o banco por meio de decisões regulatórias e da articulação de aportes de recursos públicos, principalmente aqueles provenientes do IPS, para sustentar as operações da instituição.
Em resposta à indignação popular e à retenção dos depósitos, Peña chegou a sancionar uma lei emergencial que previa a devolução da maior parte dos valores aos correntistas em menos de uma semana.




