A guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia completa quatro anos nesta terça-feira, 24 de fevereiro, após 1.461 dias de combates. O conflito, que começou com a maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, deixou centenas de milhares de mortos e feridos, desde militares até civis, e segue sem desfecho, apesar de novas tentativas de negociação.
Ao longo desse período, o presidente russo Vladimir Putin buscou consolidar ganhos territoriais no leste e no sul ucraniano, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky dependeu do apoio militar e financeiro dos Estados Unidos e da União Europeia para resistir e recuperar áreas ocupadas. O conflito extrapolou as fronteiras dos dois países, provocando sanções em escalas surpreendentes e tensão na política global.
Agora, no quarto ano, nunca houve tantas conversas sobre negociação da guerra, mas mesmo assim, os combates continuam intensos. A discussão sobre garantias de segurança, adesão da Ucrânia à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o destino dos territórios ocupados permanece como principais desafios para chegarem à um acordo.

Quem está envolvido na Guerra da Ucrânia?
Embora o conflito seja diretamente entre Rússia e Ucrânia, ele ganhou dimensão internacional:
- Estados Unidos: principal fornecedor de armas e recursos a Kiev, sob os governos de Joe Biden e, mais recentemente, Donald Trump.
- União Europeia: impôs sucessivos pacotes de sanções contra Moscou e financiou ajuda militar e econômica.
- OTAN: reforçou sua presença no Leste Europeu e recebeu novos membros, como Finlândia e Suécia.
- Coreia do Norte: enviou milhares de militares para apoiar forças russas.
- China: apresentou proposta de cessar-fogo e mantém posição ambígua, defendendo diálogo e criticando sanções.
Principais marcos da guerra ano à ano
2022 – A invasão e a resistência ucraniana
- Em 24 de fevereiro, tropas russas cruzaram a fronteira com o objetivo declarado de “desmilitarizar” e “desnazificar” a Ucrânia. Moscou esperava tomar Kiev rapidamente, mas a resistência ucraniana frustrou os planos;
- Nos primeiros meses, forças russas recuaram do entorno da capital, deixando denúncias de massacres em cidades como Bucha e Irpin;
- Houve tentativas iniciais de negociação na Bielorrússia e na Turquia, sem sucesso;
- No segundo semestre, a Ucrânia lançou contraofensivas e recuperou áreas no nordeste e no sul.
2023 – Guerra de desgaste e impasse diplomático
- O conflito entrou numa fase de desgaste prolongado, com batalhas intensas no leste, especialmente em Donetsk;
- A Ucrânia apresentou uma “fórmula de paz” prevendo retirada total das tropas russas, rejeitada por Moscou;
- A China lançou um plano de 12 pontos pedindo cessar-fogo, mas sem avanços concretos;
- A guerra passou a impactar fortemente a economia global, com crise energética e alimentar.

2024 – Escalada internacional e novos atores
- O ano foi marcado pela ampliação do conflito. A Ucrânia recebeu caças F-16 e autorização dos EUA para usar armas de longo alcance contra alvos em território russo;
- A Rússia respondeu com ataques massivos à infraestrutura energética ucraniana e reforçou o recrutamento militar;
- A presença de soldados norte-coreanos ao lado de tropas russas elevou a tensão geopolítica;
- A Suécia aderiu à OTAN, ampliando ainda mais a aliança militar ocidental.
2025 – Pressão por negociação
- Com a volta de Donald Trump à Casa Branca, Washington retomou contatos diretos com Moscou;
- Conversas em países como Arábia Saudita e Turquia discutiram possíveis termos para cessar-fogo;
- Zelensky passou a admitir publicamente a possibilidade de negociações envolvendo territórios, desde que haja garantias de segurança robustas;
- Apesar disso, ofensivas continuam no leste e no norte da Ucrânia, e nenhum acordo definitivo foi firmado.
O que está em jogo agora?
A Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014. No momento, Moscou exige reconhecimento dessas áreas como parte de seu território e neutralidade permanente da Ucrânia.
Kiev, por sua vez, quer garantias internacionais para evitar novas invasões e insiste na preservação de sua soberania.
Enquanto isso, o conflito segue influenciando o equilíbrio de poder na Europa e no mundo.