O homem que matou a ex-companheira, identificado como Diones Henrique de Souza Marinho, de 32 anos, tentou disfarçar a voz e usou uma camiseta para cobrir o rosto para que o filho do ex-casal, de seis anos, não o reconhecesse. O crime foi cometido na frente da criança, na madrugada de segunda-feira (11). Dinah Marinho Amorim, de 27 anos, foi encontrada com golpes de faca.
O crime
O menino havia passado o fim de semana do Dia dos Pais com o pai e foi deixado na casa da mãe no domingo à tarde. Horas depois, durante a madrugada, Diones invadiu a casa, encapuzado e com a voz disfarçada, para cometer o crime.
Segundo a delegada Fernanda Diniz, a criança chegou a questionar: “É você, papai?”, mas ele negou para não ser reconhecido. O filho de seis anos relatou ter visto um homem forte encapuzado golpear a mãe com facadas. Após o ataque, a criança pediu socorro pela janela, mas, cansado, dormiu ao lado do corpo da mãe, que foi encontrado no dia seguinte por uma amiga.
Ameaças
A principal motivação apontada pela polícia é a não aceitação do fim do casamento. Familiares ouvidos pela polícia relataram que Diones já havia feito ameaças e agia de forma agressiva com a vítima. O casal teve um relacionamento de idas e vindas por cerca de uma década, e o último término havia ocorrido há dois anos. A delegada Fernanda Diniz confirmou que, principalmente na última semana, Diones dizia que iria matar Dinah. No domingo do crime, a família de Dinah notou uma atitude incomum: a jovem ligou para a mãe pedindo para ir morar com ela, pois não podia mais viver sozinha, mas não explicou o motivo.
A investigação policial começou na manhã de segunda-feira. A Guarda Municipal localizou o carro de Diones, um Citroën C3, abandonado em uma área de mata em Jacaraípe. Policiais passaram a monitorar a região e conseguiram abordar o suspeito no final da tarde de segunda-feira, quando ele tentou sair do local. A delegada informou que Diones confessou o crime logo após a prisão. Ele foi autuado por feminicídio qualificado e encaminhado ao presídio.
Dinah Marinho Amorim, que era participativa nas atividades da igreja Assembleia de Deus e era a mais velha de quatro filhos, foi encontrada com cerca de dez facadas, principalmente na região do pescoço. A irmã da vítima relatou estar incrédula com o ocorrido, já que havia conversado com ela na noite anterior ao crime. A mãe de Dinah está inconsolável. A família, entristecida pelo fato de a criança ter presenciado o crime, clama por justiça. O menino, em estado de choque, disse aos parentes que, quando crescer, quer “fazer justiça pela mãe”.