Oito idosos foram encontrados em situação degradante em um abrigo clandestino no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, na Baixada Santista. A descoberta aconteceu na quinta-feira (14), durante inspeção da Comissão de Fiscalização de Instituições de Longa Permanência de Idosos (Cofilpi), órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Governamentais de Guarujá, com apoio da Polícia Civil. Três mulheres foram presas em flagrante.
Segundo a corporação, havia várias irregularidades no local: falta de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), ausência de médicos e fisioterapeutas e receituários médicos em branco. Os idosos viviam em condições precárias, com apenas um banheiro sem porta. Alguns estavam nus ou seminus, mesmo com o frio intenso.
Além disso, a polícia apurou que os internos não recebiam cuidados de higiene, e alguns estavam acamados ou amputados. Não havia plano nutricional e os remédios estavam espalhados pela casa, sem cuidado. O abrigo funcionava na Rua Rio Grande do Sul, no Jardim Cunhambebe.
Abrigo clandestino
Entre os idosos, um é soropositivo para HIV e usava sonda presa de forma incorreta com esparadrapo. Outro, com Alzheimer, não recebia a medicação necessária. Não havia acessibilidade no local. O delegado Flavio Goda Magário, da Delegacia de Guarujá, autuou as mulheres pelo crime previsto no Estatuto da Pessoa Idosa.
As condições da casa eram insalubres e perigosas. Ele relatou casos de vítimas com fraldas abertas e fezes ressecadas, além de colchões molhados de urina. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o caso foi registrado como expor a perigo a integridade e saúde, cuja pena pode variar de dois a cinco anos de prisão.
Denúncia
Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuci) recebeu a denúncia por meio do Disque 100, e imediatamente abriu um processo administrativo para apurar as possíveis violações e garantir a proteção dos idosos ali residentes.
O caso foi encaminhado à Comissão de Fiscalização de Instituições de Longa Permanência de Idosos e à Polícia Civil do Estado de São Paulo. No momento da prisão, apenas a cuidadora estava no abrigo. As proprietárias chegaram depois, chamadas por telefone. Segundo o Cofilpi, elas já tiveram outros abrigos irregulares, que foram fechados pelas autoridades.
As presas são a cuidadora Eliane Santos de Jesus e as proprietárias Ludmilla Ramos Siqueira e Márcia Helena Borges de Souza.