O pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, de 84 anos, morreu na última sexta-feira (2), em Campinas (SP). Considerado o principal responsável pelo desenvolvimento da variedade de feijão mais consumida no país, D’Artagnan foi apelidado de “pai do feijão Carioquinha” após décadas de trabalho voltado ao melhoramento genético da leguminosa.
A morte foi divulgada nesta segunda-feira (5) pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), órgão ao qual o pesquisador esteve vinculado ao longo da maior parte de sua trajetória científica e confirmada pela funerária Monte Mor. O velório ocorreu no último sábado, 3/1.
Legado para o agro
Segundo o Instituto, ele foi um dos responsáveis pelas primeiras avaliações agronômicas e culinárias do feijão tipo Carioca, desenvolvidas ainda na década de 1960, em parceria com os pesquisadores Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho. O material original havia sido apresentado por Waldimir Coronado Antunes, em 1966, mas coube a D’Artagnan conduzir as pesquisas que culminaram no lançamento oficial da variedade, em 1969.
Formação acadêmica e trajetória
O impacto da variedade é quantitativamente expressivo, ao passo do feijão tipo Carioca representar atualmente 66% do consumo nacional, consolidando-se como o preferido da população brasileira. Seu predomínio é explicado, em parte, pela adaptabilidade da planta, pelo tempo de cozimento reduzido e pela aparência mais clara e atrativa dos grãos.
Luiz D’Artagnan também teve uma atuação marcante na produção científica nacional. Em 1972, defendeu a tese de doutorado intitulada “Danificações mecânicas em sementes de feijoeiro” na Esalq-USP, em Piracicaba (SP), onde aprofundou estudos sobre a integridade física das sementes durante os processos de colheita e beneficiamento.