Um morador de South Lake Tahoe, na Califórnia, foi diagnosticado com peste bubônica após acampar em uma região de altitude no Condado de El Dorado, confirmou nesta terça-feira (19) o Departamento de Saúde Pública do estado. O homem está em casa, sob cuidados médicos, e apresenta quadro de recuperação.
As autoridades suspeitam que a infecção tenha ocorrido após a picada de uma pulga contaminada com a Yersinia pestis, bactéria causadora da peste. A transmissão é comum em áreas onde há circulação de roedores silvestres, como esquilos e marmotas. O caso está em investigação.
Doença milenar ainda persiste
Embora o nome evoque o imaginário trágico da Idade Média — quando dizimou milhões entre Europa, Ásia e África —, a peste negra ainda ocorre, mesmo que raramente, em territórios específicos dos Estados Unidos. Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), a bactéria chegou ao país em 1900, trazida por navios infestados de ratos. A última epidemia urbana foi registrada entre 1924 e 1925, em Los Angeles.
Atualmente, o microrganismo sobrevive em populações de roedores rurais no Oeste americano. Só no Condado de El Dorado, entre 2021 e 2024, 41 esquilos apresentaram evidências de exposição à bactéria. Em 2025, mais quatro animais testaram positivo.
A forma de contágio mais comum é a picada de pulgas infectadas, mas cães e gatos também podem atuar como vetores indiretos, carregando os insetos para dentro das residências.

Sintomas e precauções
A peste bubônica provoca febre, náusea, fraqueza e ínguas — nome popular para linfonodos inchados. Embora a letalidade seja significativamente menor que nos tempos medievais, a infecção ainda exige atenção. Se diagnosticada precocemente, o tratamento com antibióticos costuma ser eficaz.
“A peste está naturalmente presente em muitas partes da Califórnia. Por isso, é fundamental que as pessoas tomem precauções ao circular em ambientes com roedores, especialmente durante caminhadas, trilhas ou acampamentos”, alertou Kyle Fliflet, diretor interino de Saúde Pública de El Dorado.
A orientação das autoridades é: evitar o contato direto com roedores, impedir que animais domésticos se aproximem de tocas e usar repelentes apropriados em regiões de risco.
Casos recentes e contexto brasileiro
Antes do episódio atual, o último caso humano no Condado de El Dorado havia sido registrado em 2020, também em South Lake Tahoe. Em 2015, duas pessoas contraíram a doença após exposição a roedores infectados no Parque Nacional de Yosemite. Ambas foram tratadas com sucesso. Desde 2000, os Estados Unidos registram em média menos de 10 casos por ano. No Brasil, o último caso confirmado em humanos ocorreu em 2005, no município de Pedra Branca, no Ceará.