Horas após a prisão de Nicolás Maduro da Venezuela, e da declaração de Trump em “administrar” o país, aliados e lideranças mundiais repercutiram a ação. Alguns condenando, outros pedindo respeito à soberania. Nesse ensejo, a China pediu neste domingo, 4, a libertação imediata de Nicolás Maduro, após o presidente venezuelano ter sido capturado pelos Estados Unidos durante uma operação militar em Caracas, no sábado.
A ação, que incluiu bombardeios à capital da Venezuela, foi classificada pelo governo chinês como uma “clara violação do direito internacional” e um ato que compromete a estabilidade da América Latina.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China exigiu que os norte-americanos “garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que os libertem imediatamente e que cessem as tentativas de derrubada do governo venezuelano”.
Ainda segundo Pequim, a intervenção representa uma ameaça à paz regional e evidencia o “comportamento hegemônico” de Washington.
Parceria estratégica e alerta à população
A China é um dos principais aliados políticos e comerciais da Venezuela. Grande parte da produção de petróleo venezuelano — base de cerca de 70% do orçamento nacional — é destinada ao mercado chinês, o que reforça o interesse estratégico de Pequim na manutenção da estabilidade do país sul-americano. Após o ataque, a diplomacia chinesa reiterou sua posição histórica contrária à interferência externa e apelou para que eventuais disputas internas sejam resolvidas de forma autônoma.
Além da nota diplomática, autoridades chinesas emitiram um alerta de segurança, orientando seus cidadãos a evitarem deslocamentos dentro da Venezuela.
Segundo a emissora estatal CCTV, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada da China em Caracas recomendaram “evitar saídas a menos que seja absolutamente necessário” e pediram cautela redobrada diante da escalada do conflito.
Rússia condena o ataque
A Rússia também condenou o ataque dos Estados Unidos na Venezuela, e se ofereceu para ajudar a buscar uma solução pacífica bilateral.
“É particularmente importante evitar qualquer nova escalada e concentrar-se na busca de uma solução por meio do diálogo. Acreditamos que todas as partes com queixas existentes devem buscar soluções para seus problemas por meio do diálogo. Estamos prontos para ajudar nesses esforços”, reforçou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Coreia do Norte condena ação
A Coreia do Norte também se manifestou neste domingo, classificando os bombardeios como a “forma mais grave de violação de soberania”. Para o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano, a ofensiva norte-americana representa uma ação arbitrária com consequências severas para a estabilidade global. “O incidente confirma, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA”, afirmou a chancelaria em nota divulgada à imprensa estatal, ressaltando o impacto negativo para a arquitetura de relações regionais e internacionais.
Vaticano pede respeito à soberania
O episódio também repercutiu no Vaticano. O papa Leão XIV fez um apelo neste domingo, durante a oração do Ângelus, para que o “bem-estar do querido povo venezuelano” prevaleça sobre qualquer ação de força.
O pontífice destacou a importância da justiça e da paz como caminhos possíveis para lidar com a crise e defendeu garantias à soberania nacional da Venezuela, em linha com a posição de outros líderes globais que condenaram a intervenção militar dos EUA.
