A China anunciou, nesta quarta-feira (31), uma nova medida protecionista que deve impactar diretamente o agronegócio brasileiro. O governo chinês decidiu aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina importada que ultrapassar os limites de cotas anuais. O objetivo da medida é blindar os produtores domésticos e equilibrar o mercado interno, que tenta se recuperar de um período de excesso de oferta.
Impacto no Brasil
De acordo com o Ministério do Comércio chinês, o teto global de importação para os países afetados será de 2,7 milhões de toneladas em 2026. O volume é ligeiramente inferior ao recorde registrado em 2024, mas preocupa o setor produtivo brasileiro.
O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para o gigante asiático. Apenas nos primeiros 11 meses de 2025, os frigoríficos brasileiros já enviaram 1,33 milhão de toneladas para a China — número que já supera os novos limites impostos por Pequim. Com a cota atingida, as novas vendas passam a ser sobretaxadas, encarecendo o produto brasileiro no exterior.
A decisão ocorre em um momento de tensão comercial, enquanto as exportações da Austrália cresceram em 2025, os embarques dos Estados Unidos despencaram após o fim de licenças de frigoríficos americanos e o acirramento da guerra tarifária promovida pelo presidente Donald Trump.
Produção interna
Especialistas chineses afirmam que a sobretaxa é uma “salvaguarda” necessária para conter a redução do rebanho de matrizes na China. Segundo o Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, a medida dá fôlego para que as empresas nacionais se modernizem e ajustem seus estoques sem a pressão agressiva dos preços internacionais.
A restrição chega em um período contraditório para o mercado global: enquanto a China tenta frear a entrada de carne, o restante do mundo enfrenta alta nos preços devido à escassez do produto.