A Venezuela iniciou, nesta quarta-feira (17), uma série de exercícios militares na ilha de La Orchila, a cerca de 160 quilômetros da costa do país. Segundo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, 2.500 membros das Forças Armadas participam da operação, que inclui manobras navais, aéreas e de inteligência em resposta à escalada de tensões com os Estados Unidos.
Além dos efetivos militares, a Milícia Bolivariana — criada por Hugo Chávez como força auxiliar e subordinada ao Exército — também participa dos treinamentos. Os milicianos atuam desde o patrulhamento das praias e reconhecimento tático do terreno até a operação de veículos blindados e práticas de tiro.
“Iniciamos o exercício para a paz da Venezuela, por sua independência e pela vitória do povo venezuelano”, declarou o ministro, afirmando que o objetivo é reforçar a coesão das tropas e sua capacidade de enfrentamento.

Escalada militar e ofensiva diplomática
A movimentação bélica ocorre semanas após os Estados Unidos enviarem embarcações ao sul do Caribe, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. A presença militar norte-americana, no entanto, foi interpretada pelo governo venezuelano como uma possível ofensiva disfarçada para promover uma mudança de regime. Nicolás Maduro, considerado por Washington como um dos principais articuladores do narcotráfico internacional, reagiu intensificando o patrulhamento costeiro.
Duas ofensivas norte-americanas contra embarcações venezuelanas ampliaram a crise. No dia 2 de setembro, uma operação deixou 11 mortos; em 15 de setembro, um novo ataque terminou com três mortos e um soldado dos EUA ferido. Em resposta, Maduro ordenou o envio de 25 mil soldados ao litoral caribenho e reforçou as inspeções aéreas sobre navios estrangeiros.
Os Estados Unidos deslocaram dez caças F-35 para um aeródromo em Porto Rico. A medida foi classificada como precaução operacional, mas elevou a sensação de hostilidade na região.