O primeiro processo contra o popular videogame Roblox foi iniciado na Carolina do Norte, segundo a CNN americana. O escritório de advocacia Dolman Law Group protocolou uma queixa na quinta-feira (21) em nome de uma mãe e sua filha da cidade de High Point, alegando que a plataforma se tornou um “terreno fértil para predadores” — termo comumente utilizado no exterior para se referir à pedófilos — e que viabilizou a exploração sexual da criança de 10 anos.
Segundo a imprensa americana, o processo afirma que a menina, uma jogadora de Roblox desde os 6 anos, foi aliciada por um homem que se passava por uma criança de sua idade. O agressor a coagiu a enviar fotos sexualmente explícitas por mensagens de texto em troca de “Robux”, a moeda virtual do jogo.
Segundo a mãe, a plataforma deu a ela uma “sensação infundada de segurança” com a crença de que existiam “salvaguardas adequadas”. A ação também acusa a empresa de priorizar o lucro financeiro em detrimento do bem-estar infantil.
O Roblox é um dos jogos mais populares do mundo, com mais de 85 milhões de usuários ativos diariamente. Dados da empresa indicam que cerca de 40% desses usuários são crianças menores de 12 anos.
Múltiplas acusações e polêmicas
O processo da família é uma de várias acusações que a empresa enfrenta. Em agosto, um ex-fuzileiro naval processou o Roblox, alegando que a plataforma não implementou recursos de segurança para protegê-lo de um predador adulto. Uma semana antes, a procuradora distrital da Louisiana, Liz Murrill, entrou com um processo com alegações semelhantes.
Em abril, autoridades prenderam um homem na Califórnia, acusado de sequestrar e agredir sexualmente uma criança que ele conheceu por meio do jogo.
O escritório de advocacia que representa o YouTuber Michael “Schlep” acusou a empresa de banir o criador de conteúdo da plataforma e ameaçá-lo com um processo. Schlep, conhecido por expor supostos aliciadores de crianças no Roblox e Discord, afirma que seu trabalho levou à prisão de seis predadores. Em sua defesa, o Roblox alegou que Schlep e outros “grupos de vigilantes” “normalizam a conduta inapropriada” ao se passarem por menores e direcionarem usuários para fora da plataforma.
Uma investigação interna conduzida pelo Dolman Law Group descobriu que várias “experiências” (jogos dentro da plataforma) do Roblox fazem referência à cultura pop, com títulos como “Diddy Party”, “Survive Diddy”, “JeffEpsteinSupporter” e “Escape to Epstein Island”.
Em resposta aos processos, o Roblox comunicou que lançou um sistema de inteligência artificial de código aberto para ajudar a detectar linguagem predatória nos chats. A empresa também enviou uma declaração ao WRAL News, nos Estados Unidos, onde afirma que a segurança é sua “prioridade máxima” e que “dedica recursos substanciais” para coibir comportamentos inadequados. “Embora nenhum sistema seja perfeito, o Roblox implementou salvaguardas rigorosas”, disse a empresa, que também destacou sua parceria com autoridades e organizações de segurança infantil.