O governo do Irã negou que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, tenha sido condenado à morte, segundo nota divulgada nesta quinta-feira (15) pela mídia estatal. Detido desde 10 de janeiro na penitenciária central da cidade de Karaj, Soltani é acusado de “conspiração contra a segurança interna” e “atividades de propaganda contra o regime”, mas a Justiça iraniana afirmou que essas infrações não implicam automaticamente pena capital, mesmo que venham a ser confirmadas por um tribunal.
O esclarecimento ocorreu dias após a ONG de direitos humanos Hengaw noticiar que Soltani estaria entre os presos políticos com execução prevista para a quarta-feira anterior.
A publicação gerou reação imediata de ativistas e autoridades internacionais, em meio à crescente tensão nas ruas iranianas desde o início do ano, quando manifestações contra o regime se intensificaram em diversas cidades do país.
Tensão internacional
Diante das denúncias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que foi informado sobre a redução no número de mortes durante a repressão aos protestos no Irã. Em tom mais cauteloso que o habitual, afirmou acreditar que não há planos para execuções em massa, embora tenha reiterado que não descarta completamente uma eventual intervenção militar.
A postura do governo norte-americano segue sendo monitorada com apreensão por líderes do Oriente Médio, especialmente após uma série de ameaças feitas por Washington em apoio aos manifestantes iranianos.
O Conselho de Segurança da ONU marcou para esta quinta-feira (15) uma reunião de emergência para discutir a situação no Irã, incluindo os relatos de prisões arbitrárias e repressão violenta durante os atos populares.
Até o momento, o processo judicial de Erfan Soltani segue em andamento, sem julgamento concluído ou data prevista para audiência. O judiciário do Irã reiterou que a sentença dependerá da avaliação formal do caso e que não houve, até agora, qualquer decisão que envolva pena de morte.