O primeiro-ministro do Nepal, KP Sharma Oli, renunciou ao cargo nesta terça-feira (9) após uma série de protestos que deixaram ao menos 19 mortos e mais de 100 feridos em Katmandu e outras cidades do país. A crise foi deflagrada pela decisão do governo de bloquear o acesso a redes sociais, o que provocou reações violentas e a ocupação de prédios públicos na capital.
Oli comunicou a decisão por meio de carta enviada ao presidente Ramchandra Paudel:
“Em vista da situação adversa no país, renunciei hoje para facilitar a solução do problema e ajudar a resolvê-lo politicamente de acordo com a constituição”, escreveu.
A renúncia foi aceita pelo presidente, que iniciou o processo para definir um novo chefe de governo, conforme informou um assessor presidencial à agência Reuters.
Nepal govt was getting exposed for corruption, so they banned social media apps. But with almost 14 million young people, they can’t ignore Gen Z. This generation won’t stay silent.
— sangwan (@SangwanHQ) September 8, 2025
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Toque de recolher e prédios incendiados no Nepal
Os protestos, liderados por um grupo que se autodenomina “manifestantes da Geração Z”, tiveram como estopim a censura digital, mas foram alimentados pela insatisfação crescente com a corrupção, o desemprego e a ausência de políticas públicas voltadas aos jovens.
Na segunda-feira (8), manifestantes entraram em confronto com a polícia após tentar invadir o Parlamento. Apesar da suspensão temporária do bloqueio das redes sociais, a violência se intensificou. Edifícios do Parlamento e de ministérios foram incendiados, assim como escritórios governamentais no complexo de Singha Durbar.
Diante da escalada, o governo impôs toque de recolher por tempo indeterminado em Katmandu. Escolas, comércios e demais serviços estão fechados. Aglomerações permanecem proibidas na região central da cidade.
Oli, de 73 anos, exercia seu quarto mandato desde julho de 2024, sendo o 14º premiê desde a abolição da monarquia em 2008. A pressão política se agravou após dois ministros pedirem demissão na noite de segunda-feira, alegando motivos morais para não seguir no governo.