O presidente Donald Trump assinou um decreto que impõe tarifa de 50% sobre produtos vindos do Brasil, combinando um aumento de 10% anunciado em abril com mais 40% agora. Apesar da medida, 694 itens ficaram de fora da nova taxação, o que representa cerca de 43% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Segundo a Câmara Americana de Comércio (Amcham), isso significa que US$ 18,4 bilhões (cerca de R$ 101,9 bilhões) em produtos brasileiros seguirão entrando nos EUA sem pagar a nova tarifa. O Brasil exporta aproximadamente 4 mil itens para o mercado americano, mas muitas empresas ainda enfrentam incertezas por terem ficado fora da isenção.
Como é difícil substituir produtos importados rapidamente, os custos extras devem ser repassados ao consumidor, o que pode pressionar a inflação nos EUA. Trump aposta que, antes disso, a arrecadação com as tarifas ajude a fortalecer os cofres públicos, incentivar investimentos e permitir cortes de impostos para empresas locais.
Como vai funcionar o tarifaço?
A nova tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros foi anunciada por Donald Trump em 9 de julho e é a maior entre as aplicadas a países exportadores para os EUA (veja relação a seguir). Segundo ele, a medida responde aos “ataques insidiosos do Brasil às eleições livres” e à “violação da liberdade de expressão dos americanos”.
- África do Sul: 30%
- Argélia: 30%
- Bangladesh: 35%
- Bósnia e Herzegovina: 30%
- Brasil: 50%
- Brunei: 25%
- Camboja: 36%
- Canadá: 35%
- Cazaquistão: 25%
- Coreia do Sul: 25%
- Filipinas: 20%
- Indonésia: 32%
- Iraque: 30%
- Japão: 25%
- Laos: 40%
- Líbia: 30%
- Malásia: 25%
- México: 30%
- Mianmar: 40%
- Moldávia: 25%
- Sérvia: 35%
- Sri Lanka: 30%
- Tailândia: 36%
- Tunísia: 25%
- União Europeia: 30%
O decreto menciona perseguição política contra Jair Bolsonaro, críticas ao ministro Alexandre de Moraes e o congelamento de ativos de uma empresa americana no Brasil. Trump ainda acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de emitir ordens secretas e ilegais de censura a plataformas dos EUA, ameaçando-as com multas e até expulsão do país.
Além das acusações políticas, Trump afirmou que a relação comercial entre os dois países é “injusta” e “não recíproca”. No entanto, dados do governo brasileiro mostram que, desde 2009, o Brasil acumula déficits comerciais com os EUA, somando mais de US$ 88 bilhões em 16 anos – ou seja, os americanos vendem mais ao Brasil do que compram. As novas tarifas entram em vigor sete dias após a assinatura do decreto.
Para que servem as novas tarifas dos EUA?
As tarifas de importação são impostos cobrados sobre produtos que vêm de fora, com o objetivo de proteger o mercado interno. Ao encarecer itens estrangeiros, o país incentiva o consumo de produtos feitos localmente. Donald Trump já havia prometido, desde que assumiu a presidência, “taxar países estrangeiros para enriquecer” os americanos.
Mesmo os produtos fabricados dentro do país pagam impostos, como os tributos sobre bens e serviços. A tarifa de importação ajuda a equilibrar a concorrência entre itens locais e importados. Já na exportação, muitos países optam por reduzir impostos para estimular vendas e aumentar sua presença internacional.
Cada governo decide quanto vai cobrar de imposto sobre produtos importados. Nos Estados Unidos, o decreto de Trump aumentou de zero para até 50% o valor da tarifa sobre diversos itens. Isso torna produtos estrangeiros mais caros – como o café brasileiro, que os EUA não conseguem produzir – e gera arrecadação imediata para o governo americano.
Veja lista dos principais produtos que estão fora do tarifaço
- Castanhas-do-brasil com casca, frescas ou secas;
- Polpa e sucos de laranja;
- Petróleo;
- Aviões e diversos artigos de uso aeronáutico, como pneus, motores, peças e turbinas;
- Mica bruta;
- Minério de ferro, aglomerado e não aglomerado;
- Minério de estanho e concentrados;
- Diversos tipos de carvão, linhito, turfa, coque, gás de carvão e outros derivados minerais;
- Gases naturais, propano, butano, etileno, propileno, butileno, butadieno;
- Matérias-primas de alumínio, silício, óxido de alumínio, potassa cáustica;
- Diversos produtos químicos, fertilizantes, cera, resíduos petrolíferos
- Madeira, cortiça aglomerada, polpa química de madeira, polpa de algodão, polpa de fibras vegetais, celulose;
- Prata e ouro, na forma de lingote ou dore;
- Ferro-gusa, ligas de ferro, ferronióbio, e outros produtos primários de ferro e aço;
- Linhas, tubos e conexões de uso industrial, vários tipos de metais, borracha e plásticos para aviação civil;
- Insumos para papel, papelão, celulose, artefatos de papel/papelão;
- Alguns tipos de pedras, fibras, crocidolita, amianto, misturas de fricção;
- Fertilizantes minerais e químicos de diversos tipos.
A lista completa de produtos isentos, em inglês, pode se vista no decreto assinado por Trump (clique aqui).