O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou que deixará o comando do país em meio à crise envolvendo o banco digital Ueno.
Peña divulgou nesta quinta-feira (5) um vídeo no qual afirma que renunciará ao cargo em “respeito à Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos”.
O político declarou ainda que a decisão busca preservar a estabilidade nacional e pediu desculpas à população por eventuais falhas cometidas durante sua gestão.
“Decidi apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional iniciou a análise de um pedido de impeachment contra Peña e seu vice-presidente. A iniciativa partiu da oposição diante do agravamento do cenário político.
“Minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram seus salários ao nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos, pertencentes a todos os paraguaios, sejam protegidos”, afirmou Peña.
Pedido de impeachment
Com a escalada da crise, a oposição e parlamentares da base governista articularam a abertura do processo de destituição do presidente.
Nesta quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados realizou uma sessão extraordinária na qual todas as bancadas manifestaram a intenção de votar a favor do afastamento.
O movimento contou, inclusive, com o apoio de alas do Partido Colorado, legenda à qual Peña é filiado.
Entenda a crise no Paraguai
O estopim da crise ocorreu nesta terça-feira (3), quando o banco digital Ueno Bank entrou em colapso devido à concessão de um elevado volume de empréstimos irregulares.
O caso veio a público após as autoridades financeiras constatarem que a instituição havia liberado mais recursos do que suas reservas de capital permitiam.
Em resposta, o Banco Central do Paraguai assumiu o controle da entidade e decretou sua liquidação, com o objetivo de proteger os fundos de cerca de 3 milhões de correntistas (quase metade da população do país).
A ligação de Peña com a instituição agravou a crise política e econômica. O presidente figurou como acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco digital, até março de 2025.
Diante disso, a oposição acusa o governo de direcionar aportes de recursos públicos, por meio do Instituto de Previdência Social (IPS), para financiar as operações do Ueno Bank.




