A Força Aérea da Polônia derrubou, na madrugada desta quarta-feira (10), drones russos que invadiram o espaço aéreo do país. Um dos aparelhos foi abatido nas imediações de Lublin, a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. Esta é a primeira vez que caças poloneses realizam uma operação direta contra aeronaves russas desde o início da guerra no país vizinho.
O episódio também provocou o fechamento temporário de aeroportos em território polonês — medida inédita desde o início da ofensiva russa. Segundo as Forças Armadas da Polônia, a ação foi classificada como uma “violação sem precedentes” e resultou na ativação imediata dos protocolos de defesa.
“Durante o ataque de hoje da Rússia contra alvos localizados em território ucraniano, nosso espaço aéreo foi violado por drones. Trata-se de um ato de agressão que representa uma ameaça real para a segurança dos nossos cidadãos”, declarou o Comando Militar em nota oficial.

Tensão próxima da fronteira
Embora os drones tenham sido atribuídos a um ataque russo contra a Ucrânia, o episódio ampliou o grau de vigilância do governo polonês. A cidade de Lublin, onde ocorreu uma das intercepções, está situada em uma região historicamente sensível, a poucos quilômetros da zona de conflito.
Numerous drones entered Polish airspace overnight and were met with Polish and NATO air defences. @SecGenNATO is in touch with Polish leadership and @NATO is consulting closely with Poland ??
— NATO Spokesperson (@NATOpress) September 10, 2025
Ao longo de 2024, incidentes semelhantes já vinham acendendo o alerta. Em janeiro, um míssil russo cruzou brevemente o território da Polônia. Em 2022, projéteis atingiram diretamente a vila de Przewodów, também próxima à fronteira, matando dois civis.
Repercussão internacional
A Polônia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que conta atualmente com 32 países. Por isso, qualquer violação ao seu espaço aéreo levanta preocupações em escala continental. O país está amparado pelo Artigo 5 da aliança, que considera um ataque a um dos membros como uma agressão a todo o bloco.
Kaja Kallas, chefe de política externa da União Europeia, afirmou estar em contato com autoridades polonesas e com a Otan. Em comunicado, reiterou apoio ao governo de Varsóvia e defendeu uma resposta estratégica mais contundente:
“A UE está em total solidariedade com a Polônia. A guerra da Rússia está aumentando, não terminando. Devemos aumentar o custo para Moscou, fortalecer o apoio à Ucrânia e investir na defesa da Europa.”
As investigações sobre a origem exata e o trajeto dos drones seguem em curso. Até o momento, Moscou não se pronunciou.