Uma operação cinematográfica retirou o presidente Donald Trump da Turquia em julho. Autoridades americanas identificaram uma ameaça real do Irã contra a vida do republicano. O plano exigiu o uso de um caminhão de transporte de alimentos, a troca secreta de aeronaves e a transformação involuntária da imprensa em isca para despistar potenciais agressores.
O jornal The Washington Post publicou as revelações na última segunda-feira (10). A reportagem detalha como o governo americano priorizou a segurança de Trump em detrimento da transparência com a mídia.
O plano de fuga: entenda a operação de segurança
Durante a cúpula da Otan em Ancara, o governo obteve dados de inteligência cruciais. As informações indicavam que forças iranianas monitoravam o presidente e o Air Force One como alvos prioritários. O Serviço Secreto recomendou, por precaução, a troca imediata de aeronave antes da partida rumo ao Reino Unido.
O esquema, executado em 8 de julho, seguiu estes passos:
- Embarque monitorado: Trump chegou ao aeroporto e entrou no antigo Air Force One à vista das câmeras, enquanto acenava para a pista.
- Transferência oculta: Enquanto a imprensa embarcava pela parte traseira, agentes retiraram Trump discretamente pelo lado oposto. O presidente subiu em um caminhão de serviço de bordo. O veículo elevou o compartimento até a altura de um jato C-32A estacionado próximo ao local.
- Voo sob disfarce: Trump seguiu no C-32A — um Boeing 757 modificado — em direção ao Reino Unido. Para garantir o sigilo, a aeronave utilizou a identificação “Reach 18”.
- A isca: O antigo Air Force One decolou logo atrás, transportando jornalistas e funcionários. As autoridades orientaram os passageiros a manter as persianas fechadas durante todo o trajeto, escondendo a ausência do presidente.
- Reencontro: Após o pouso na base aérea de Mildenhall, no Reino Unido, Trump retornou ao avião tradicional. Ele apareceu diante das câmeras e desceu normalmente da aeronave para seguir viagem até Washington.
A prioridade do Serviço Secreto contra a ameaça do Irã
Especialistas em segurança avaliam a manobra como uma medida extrema, mas necessária. Donald Mihalek, ex-agente do Serviço Secreto, explica que a agência prioriza a proteção do presidente acima de qualquer protocolo de transparência. “A agência não faz relações públicas; a função principal é manter o presidente seguro”, afirmou Mihalek.
A Casa Branca evitou confirmar oficialmente os detalhes da operação. No entanto, o diretor de comunicação, Steven Cheung, declarou que o governo utiliza todas as ferramentas disponíveis para neutralizar riscos. Isso inclui estratégias de distração e desinformação para proteger o mandatário americano.
Desde o início das hostilidades militares entre os dois países, Trump mantém um tom tenso. Ele declarou publicamente em diversas ocasiões que ocupa o primeiro lugar na lista de alvos de Teerã. Desse modo, a geopolítica internacional segue em alerta máximo após o incidente na Turquia.