Um dos homens resgatados após a queda de um helicóptero em uma área de mata de Iaras, no interior de São Paulo, foi preso depois de apresentar uma identidade falsa aos policiais. Paulo Cézar Silva dos Santos, de 44 anos, conhecido como “Testinha”, era procurado pela Justiça por tráfico de drogas e roubo.
Conforme apurado pelo SBT Central, a queda aconteceu durante a madrugada de domingo (20), em uma região de mata fechada. Paulo estava entre os três ocupantes da aeronave que foram encontrados com vida pelas equipes de resgate. Os sobreviventes foram retirados do local e levados para atendimento médico em Avaré.
Segundo a investigação, o homem é apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos como ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também é investigado por suposta participação no sequestro de um advogado ocorrido em Cubatão, no litoral de São Paulo.
A aeronave envolvida no acidente, de prefixo PT-YBL, é um helicóptero modelo Agusta A109C. Dados do cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o Certificado de Aeronavegabilidade estava cancelado e que o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade estava vencido desde maio de 2019.
Identidade falsa
Conforme a Polícia Militar, durante o atendimento após a queda, Paulo forneceu aos agentes dados pessoais que não correspondiam aos registros encontrados nos sistemas policiais. A consulta ao Muralha Paulista levantou a inconsistência e permitiu que os agentes chegassem à identidade verdadeira do homem.
A identificação levou à constatação de que havia mandados de prisão contra ele. Paulo foi preso depois de receber atendimento médico e, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), passou por audiência de custódia na segunda-feira (21). Como não haviam irregularidades na prisão, ele permaneceu detido.

Sequestro de advogado
O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado em junho deste ano e levado para uma comunidade em Cubatão, onde, segundo seu relato, foi submetido a um chamado “tribunal do crime”. O caso começou após o profissional ajuizar uma ação contra uma empresa que era “de interesse do PCC”.
Rafaell contou que foi atraído ao local após receber um contato de Wagner Rodrigues dos Santos, suposto integrante da facção. Segundo o advogado, ele acreditava que prestaria auxílio relacionado à defesa de um homem preso. Contudo, foi orientado a encontrar o suspeito em uma comunidade na Vila Esperança.
O advogado permaneceu no local das 19h até a 1h da madrugada seguinte, onde cerca de 30 pessoas teriam feito ameaças e tortura psicológica. Wagner e outros envolvidos acompanharam a situação por videochamada. Rafaell foi liberado somente depois de concordar em desistir da ação judicial – o que, de fato, foi feito.




