Os Estados Unidos intensificaram as pressões sobre a Groenlândia ao longo do mês de janeiro, elevando o tom de confrontação diplomática com governos europeus e adotando medidas econômicas contra países que se opõem à proposta de aquisição da ilha — seja de maneira compulsória ou não.
A escalada mais recente partiu do ex-presidente Donald Trump, que voltou a defender a anexação do território, com ameaças públicas e aplicação de tarifas contra produtos europeus como forma de coerção.
A tensão ganhou novo fôlego entre os dias 6 e 12 de janeiro, quando Trump declarou a intenção de “tomar a Groenlândia de qualquer maneira”, insinuando a possibilidade de ação militar ou uso de forças especiais para garantir o domínio americano na região.
Autoridades europeias reagiram com preocupação, denunciando que a retórica do ex-presidente extrapola os limites diplomáticos e compromete os princípios de autodeterminação dos povos.
No último sábado (17), Trump reiterou que tarifas progressivas serão aplicadas a países aliados até que os Estados Unidos obtenham aval formal para adquirir a ilha, situada no extremo norte do Atlântico. A imposição de tarifas foi interpretada por governos europeus como uma estratégia de intimidação econômica, agravando o impasse.
No domingo (19), ele publicou uma nova declaração em rede social, afirmando que “a OTAN vem dizendo à Dinamarca, há 20 anos, que vocês precisam afastar a ameaça russa da Groenlândia”, e que “agora chegou a hora, e isso será feito”.

Interesse de Trump na Groenlândia
Segundo o professor de ciências políticas, Heni Ozi Cuckier no programa Três Irmãos, “a Groelândia é um território muito estratégico, no meio de novas rotas de navegação. É uma ilha semiautônoma, que países como a China e Rússia tenham interesses na Groelândia.”
Segundo a abordagem do professor, do ponto de vista geopolítico, “faz sentido” os EUA quererem a Groelândia, mas que isso causa rupturas internacionais negativas, agravando problemas desnecessários.

Estratégia militar e reação local
Além da retórica, os EUA deram passos objetivos ao reconfigurar o comando militar sobre a Groenlândia em junho de 2025, transferindo sua supervisão do Comando Europeu para o Comando Norte-Americano. A medida em questão reposicionou o território no mapa operacional do Pentágono, alinhando sua administração às prioridades estratégicas dos EUA no Ártico, até então, sob interesses militares.
A movimentação provocou protestos em solo dinamarquês e groenlandês. No mesmo dia em que Trump reafirmou a pressão por aquisição, manifestantes ocuparam espaços públicos em Nuuk e em Copenhague, exigindo que a soberania territorial seja preservada. Grupos civis cobraram respeito ao direito de autodeterminação e denunciaram o risco de militarização da região.
O governo da Groenlândia reforçou, no dia 12 de janeiro, que não aceitará nenhum tipo de anexação unilateral e formalizou sua intenção de manter laços de proteção sob a Otan, numa sinalização clara de repúdio à proposta americana. A Dinamarca, por sua vez, exigiu explicações formais dos EUA sobre ações recentes e classificou como “inaceitável” a visita de uma delegação americana à capital groenlandesa em março de 2025.
Tentativas anteriores e pressão simbólica
A proposta de compra da Groenlândia pelos EUA não é inédita, mas remonta o governo Trump anterior. Em agosto de 2019, Trump já havia sinalizado o interesse, gerando reações internacionais que classificaram a ideia como extravagante.
O tema retornou com força em fevereiro de 2025, quando o Congresso americano analisou o projeto “Red, White, and Blueland Act of 2025”, que previa negociações formais para aquisição do território, incluindo a possibilidade de rebatizá-lo.
A crise foi consolidada de fato em dezembro de 2025, durante reuniões bilaterais anuais, quando os EUA reafirmaram interesse em ampliar influência sobre a ilha. A repercussão aumentou com a declaração russa sobre os impactos históricos de uma eventual “tomada americana”, elevando o grau de atenção geopolítica sobre a região.
Enquanto isso, autoridades britânicas e da União Europeia mantêm a posição de apoio à soberania dinamarquesa, rechaçando qualquer interferência externa e condenando a imposição de sanções.
Segundo especialistas ouvidos pelo SBTNews, a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, é considerada estratégica não apenas por sua posição no Ártico, mas também pelas suas vastas reservas minerais.