A caminhada rumo a uma Copa do Mundo guarda histórias que o torcedor comum nem imagina. Para o ex-zagueiro José Oscar Bernardi, o anúncio de sua primeira convocação para defender o Brasil começou de forma inusitada: dentro de um ônibus coletivo em Campinas, acompanhado por um mal-entendido com o nome de outro ídolo da Ponte Preta. Com exclusividade, o defensor que marcou época nas Copas de 1978, 1982 e 1986 relembra os bastidores daquela época de ouro, analisa a pressão sobre os atletas atuais e projeta o futuro da Seleção Brasileira no cenário mundial.
O dia em que o telegrama da CBF quase mudou de dono
A primeira convocação de Oscar Bernardi aconteceu quando ele ainda defendia as cores da Ponte Preta. O ex-jogador lembra com detalhes o momento em que descobriu que vestiria a camisa amarelinha, uma situação bem diferente das transmissões tecnológicas de hoje.
“Eu estava retornando de um passeio no centro de Campinas para o estádio, onde os atletas mais jovens moravam. Dentro do ônibus coletivo, uma pessoa me contou que eu tinha sido convocado”, recorda Oscar.
Ao chegar ao clube, a diretoria foi checar o telegrama oficial enviado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Foi aí que a história ganhou um tom cômico. O documento trazia o nome de “Oscar Sales Bueno”, que na verdade pertencia a Dicá, o lendário meia do clube campineiro. “Só que no telegrama constava ‘zagueiro central’ e não ‘meia’. Felizmente era eu mesmo”, diverte-se o ex-defensor.
O brilho e a dor da inesquecível Seleção de 1982
Embora tenha disputado três Mundiais, o ex-zagueiro não hesita ao apontar qual equipe deixou a marca mais profunda em sua trajetória e no coração do país. Para ele, o grupo que disputou a Copa da Espanha é inigualável.
“Acho que a Seleção de 1982 foi a que mais me marcou e também a milhões de brasileiros, devido ao bom nível técnico dos jogadores, como Zico, Falcão, Cerezo, Júnior, Leandro e Éder”, avalia Oscar.
Aquela equipe encantou o planeta pelo futebol vistoso, mas o desfecho no Estádio Sarriá contra a Itália interrompeu o sonho do tetracampeonato. O ex-atleta identifica o preciosismo tático como o fator crucial para a eliminação precoce. “Fizemos uma bela Copa, porém era um time muito ofensivo e acho que por esse motivo ficamos fora da final, perdendo para a Itália.”
Pressão, o fator Neymar e o caminho para o hexa
Quem assiste aos jogos atuais costuma debater se a cobrança sobre os jogadores aumentou com as redes sociais. Oscar, no entanto, enxerga o peso da camisa de forma linear ao longo das décadas. Para ele, o nível de exigência na Seleção Brasileira sempre foi o mesmo, pois o sarrafo do torcedor exige exibições de gala seguidas de vitórias.
Quando o assunto é a busca pelo próximo título mundial, o ex-zagueiro deposita sua fé no principal astro do futebol brasileiro atual e na liderança técnica da comissão.
- O papel de Neymar: “O Neymar será, sim, a grande esperança para nós brasileiros. Confio muito nele”, afirma o veterano, garantindo que o craque ainda possui poder de decisão.
- O comando técnico: O ex-jogador destaca que o Brasil conta hoje com um técnico que é unanimidade entre os torcedores.
Com a estrutura pronta e o apoio da torcida, Oscar encerra com otimismo o panorama para os próximos desafios do Brasil: “Agora é só torcer e quem sabe vibrar com as vitórias”.