O Pix virou alvo do governo dos Estados Unidos porque desafia o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos do Brasil. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos alcança 170 milhões de brasileiros. Ou seja, atinge quase 80% da população. Por isso, atraiu atenção internacional e integrou a justificativa de um tarifaço de 25% sobre produtos importados do Brasil.
A disputa geopolítica e o argumento dos EUA
O governo de Donald Trump sustenta que o Pix representa uma ameaça competitiva às empresas americanas. Logo, classifica a ferramenta operada pelo Banco Central como protecionista. No entanto, reportagens da revista britânica The Economist apontam que esses argumentos não encontram respaldo em fatos concretos.
Além disso, a publicação destaca que o sistema não faz distinção entre instituições financeiras locais ou estrangeiras. Afinal, corporações como Visa e Mastercard aderiram à plataforma voluntariamente. Consequentemente, o debate real gira em torno da concentração de poder e da soberania financeira. Em artigo recente, a The Economist pontua que a ascensão de sistemas soberanos globais ameaça a supremacia americana e pressiona as margens operacionais de gigantes de pagamentos.
Impacto no mercado de cartões e inclusão financeira
Apesar das críticas de que o Pix prejudicaria o setor de cartões, os dados revelam um cenário oposto. Em 2025, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões na esteira da expansão da ferramenta. Isso representou um crescimento de 10,1%, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Desde 2020, o número de transações com cartão de crédito no Brasil aumentou 127%.
Ademais, o Banco Central reforça que a inovação ajudou milhões de pessoas. Estima-se que pelo menos 70 milhões de cidadãos passaram a integrar o mercado financeiro formal desde o lançamento da plataforma. Em complemento, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio aponta que bancos localizados em municípios com alta adoção do sistema de pagamentos registraram um crescimento acelerado de depósitos.
O Pix como modelo internacional e referência global
O sucesso do Pix ultrapassou as fronteiras nacionais rapidamente. No primeiro semestre, o Banco Central assinou acordos para compartilhar informações com 65 autoridades internacionais. A lista inclui Alemanha, Canadá, África do Sul e Turquia.
Por fim, especialistas apontam a real preocupação do governo americano. Os EUA temem que o modelo brasileiro sirva de referência para a América Latina. Enquanto o México tentou avançar com o CoDi em 2019 com baixa adesão, o sistema brasileiro consolidou-se como um facilitador de baixo custo. Com isso, ele elevou a competitividade do setor bancário e pressionou as taxas de processadores globais.
Saiba mais:
- Fachin reage a pressões externas após tarifaço dos EUA
- Novo tarifaço dos EUA atinge produtos brasileiros; veja o que muda
- Caiado critica postura de Lula e Flávio após tarifaço