Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Áudio revela ex-prefeito de Cubatão culpando bebida após acusação de estupro

Ademário Oliveira chega a perguntar se está sendo gravado e admite 'imprudência' em festa de aniversário

Um áudio gravado por uma servidora pública que acusa o ex-prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira, de estupro foi anexado à denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP-SP). Na gravação, o ex-chefe do Executivo atribui o caso ao consumo de bebida alcoólica e tenta justificá-lo ao mencionar uma suposta “química sexual”.

No diálogo, Oliveira pergunta se o celular da servidora estava desligado e afirma que havia bebido, dizendo ter ficado mais extrovertido. A mulher afirma que nunca deu qualquer abertura para aproximação e relata ter ficado preocupada com a situação. Em seguida, o ex-prefeito pede desculpas e reconhece que agiu com “imprudência”.

Segundo o MP, o caso teria ocorrido em outubro de 2020, durante a comemoração do aniversário da servidora em um bar da cidade, no último ano do primeiro mandato do investigado. A denúncia foi encaminhada à 3ª Vara Judicial de Cubatão e o processo tramita sob segredo de Justiça. A defesa de Ademário nega as acusações.

Gravação anexada ao processo

Segundo a denúncia, a gravação foi feita pela própria vítima em agosto de 2022, anos após o ocorrido, durante uma conversa com Ademário Oliveira. No áudio, o ex-prefeito questiona se o celular da mulher estava desligado antes de abordar o ocorrido no bar e, ao longo do diálogo, reconhece o constrangimento apontado por ela.

Em um dos trechos, Oliveira chega a perguntar se teria sido perdoado, mas a servidora responde negativamente. O áudio foi obtido pelo VTV News, porém não será reproduzido para preservar a identidade da vítima e em razão da natureza sensível do caso. Por isso, a seguir, é apresentada a transcrição integral do conteúdo (leia a seguir).

  • Ademário: “Foi no [bar], não foi? … Tá desligado o celular?”
  • Vítima: “Foi. Mas o que aconteceu naquele dia, você meio que me empurrou pra dentro do banheiro”.
  • Ademário: “Vou te falar que eu… acho que foi, sei lá… quando você tem uma admiração, bebe e fica excitado…”
  • Vítima: “Eu fiquei assustada. Estava todo mundo ali… eu nunca dei entrada, fiquei preocupada”.
  • Ademário: “Peço desculpas pela confusão”.
  • Vítima: “Fiquei assustada e confesso que não estou acostumada com esse tipo de situação. Nunca tive isso”.
  • Ademário: “Isso é mais admiração… eu sou muito direto, introvertido, e você é mais extrovertida… aí junta uma química sexual”.
  • Vítima: “Eu empurrei porque não é do meu perfil ceder esse tipo de ação”.
  • Ademário: “Eu diria que foi imprudência”.
  • Vítima: “Não tá desculpado, porque eu nunca dei entrada”.
  • Ademário: “Não foi de você, foi de mim. O fato é que você ficou assustada”.
  • Vítima: “Fiquei bastante assustada”.
  • Ademário: “Você foi prudente, responsável. Te agradeço por isso. O imprudente fui eu”.

Segundo a denúncia, Ademário teria tocado os seios, pernas e nádegas da vítima sem consentimento e com uso de força física. Para a promotoria, ele se valeu da posição de autoridade para constranger sexualmente a servidora, vinculada à Secretaria de Cultura, em um ocorrido classificado como “violento” e “abusivo”.

Saúde mental abalada

Além disso, a vítima relatou ter sofrido outras investidas – entre elas, comentários sobre sua aparência física, insinuações de cunho sexual e perguntas invasivas sobre o próprio corpo. Para o MP, as condutas são incompatíveis com o ambiente de trabalho e tornam-se ainda mais graves diante da posição hierárquica.

De acordo com o relato, as abordagens sucessivas provocaram medo, insegurança e intenso sofrimento emocional. A vítima afirmou que passou a viver em estado constante de tensão e precisou buscar acompanhamento psicológico. Documentos apontam um quadro de abalo à saúde mental.

Conforme os laudos, a mulher desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), além de ansiedade depressão, necessitando de uso contínuo de medicamentos. O caso só foi comunicado às autoridades em 2025 e, segundo o artigo 213 do Código Penal, o crime pode resultar em pena de seis a dez anos de prisão.

Posicionamento da defesa

Em nota à reportagem, o advogado Octávio Rolim informou que o investigado nega as acusações e destacou que o processo tramita em segredo de justiça, motivo pelo qual, segundo ele, “razão pela qual todas as informações serão prestadas com a devida cautela e reserva, respeitando-se as determinações legais”.

A defesa também enfatiza que o acusado não chegou a ser indiciado no inquérito policial. Segundo o posicionamento, “em que pese a denúncia oferecida pelo Ministério Público, é fundamental destacar que, ao final das investigações conduzidas pela Polícia Civil – autoridade que teve acesso direto e integral a todos os elementos probatórios colhidos na fase investigativa -, não houve o indiciamento de nosso cliente”.

Os advogados ainda chamam a atenção para o intervalo entre os fatos narrados, que teriam ocorrido em 2020, e o registro da ocorrência, feito apenas em 2025, circunstância que, segundo eles, deverá ser devidamente esclarecida ao longo do processo. Por fim, afirmam que “a defesa reafirma sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certa de que a verdade prevalecerá ao final da instrução processual”.

Ex-prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira, é acusado de estupro
Ademário Oliveira foi prefeito em Cubatão, na Baixada Santista, durante oito anos – Foto: redes sociais

Quem é o ex-prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira?

Ademário Oliveira, de 53 anos, construiu sua carreira política em Cubatão pelo PSDB. Antes de chegar ao Executivo municipal, disputou quatro eleições para vereador entre 2000 e 2008, ficando como suplente em todas. A virada veio em 2012, quando ganhou projeção local ao ser eleito o vereador mais votado da cidade.

Quatro anos depois, em 2016, venceu pela primeira vez a disputa pela Prefeitura de Cubatão, com pouco mais de 41% dos votos válidos. O desempenho eleitoral se repetiu em 2020, quando foi reeleito, e tornou-se uma das principais lideranças políticas do município ao longo de oito anos consecutivos no comando do Executivo.

Impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Ademário articulou politicamente sua sucessão e conseguiu eleger o aliado César Nascimento (PSD) nas eleições de 2024. Mesmo fora do cargo, manteve presença ativa nas redes sociais, onde se apresenta como homem casado, pai e avô.

Durante os mandatos, no entanto, o ex-prefeito esteve envolvido em diferentes controvérsias. Em 2020, foi desmentido pela Ordem dos Advogados do Brasil após se apresentar como advogado nas redes sociais, apesar de possuir apenas graduação em Direito. Já em 2022, passou a ser citado em investigações que apontaram irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante sua gestão, além de ter enfrentado pedidos de impeachment na Câmara Municipal, posteriormente arquivados.


Continua após a publicidade

Autor

  • Redação VTV

    Composta por jornalistas e editores especializados em apuração, produção e checagem de notícias regionais, nacionais e internacionais. As matérias publicadas neste perfil são fruto do trabalho conjunto da equipe, garantindo informação precisa, imparcialidade e compromisso com o leitor.

VEJA TAMBÉM

Toffoli admite fazer parte de empresa que negociou com fundo ligado ao Master

Toffoli admite fazer parte de empresa que negociou com fundo ligado ao Master

Caiu! Ponte Preta efetua o pagamento de salários atrasados aos jogadores

Caiu! Ponte Preta efetua o pagamento de salários atrasados aos jogadores

BBB 26 Jonas pelado no banho, beijão e provocações agitam Festa

BBB 26: Jonas pelado no banho, beijão e provocações agitam Festa

Cadeirante é preso com drogas na Fernão Dias, em Vargem

Cadeirante é preso com drogas na Fernão Dias, em Vargem

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.