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Bancário se torna réu por atropelar e matar cantor de pagode em São Vicente

Defesa diz que Thiago Arruda em nenhum momento teve a intenção ou previu o acidente
VTV News - 2025-02-06T120049.594

O bancário Thiago Arruda Campos Rosas, de 32 anos, foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por homicídio doloso na morte do cantor Adalto Mello, de 39 anos. A denúncia foi recebida pelo juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, na última terça-feira (4).

Conforme a decisão obtida pelo VTV News, o magistrado determinou que Thiago seja citado formalmente como réu. Ele recebeu prazo de dez dias, agora oito, para apresentar sua resposta à acusação.

O promotor Manoel Torralbo Gimenez Júnior classificou o caso como homicídio doloso na modalidade de dolo eventual. Isso significa que o acusado assumiu o risco de causar o acidente ao optar por dirigir embriagado e de forma irresponsável. Para o MP, a conduta foi capaz de colocar em perigo outras vidas.

O atropelamento aconteceu na Avenida Tupiniquins, no bairro Japuí, por volta das 2h38 – Foto: arquivo pessoal

Cantor Adalto Mello morre atropelado; relembre o caso

O acidente aconteceu na madrugada de 29 de dezembro de 2024, em São Vicente, quando Thiago, embriagado e em alta velocidade, colidiu com a moto pilotada por Adalto. Segundo apurado, o motorista ultrapassou um veículo que estava atrás da moto pela direita, subindo na calçada, antes de atingir a vítima.

O teste de bafômetro, realizado com o condutor às 4h37, quase duas horas após o atropelamento, registrou 0,82 mg/l de álcool, mais de duas vezes o limite legal, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ele foi preso em flagrante e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande.

O Ministério Público denunciou o bancário por homicídio doloso, agravado pela embriaguez ao volante e pelas manobras perigosas realizadas. Ele dirigia um Kia Sportage e estava em alta velocidade, realizando ultrapassagens arriscadas. O impacto foi tão forte que o cantor foi arremessado e morreu instantaneamente.

Além da acusação de homicídio, o MP também incluiu homicídio qualificado, pois Thiago utilizou recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. O comportamento ‘imprudente’ foi considerado um risco iminente à segurança pública, e o promotor Manoel Torralbo entendeu que a conduta do motorista foi ‘negligente’.

Teste do bafômetro foi realizado quase duas horas após atropelamento – Foto: arquivo pessoal

Prisão preventiva

Após o flagrante, Thiago teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia. Desde então, sua defesa entrou com pedidos de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em ambos os casos, os pedidos foram negados por decisão monocrática.

Além de pedir a condenação de Thiago, cuja pena pode variar entre 12 e 30 anos de prisão, o promotor solicitou que ele pague indenizações aos familiares de Adalto. Essas reparações financeiras, segundo a denúncia, deverão incluir valores pelos danos materiais e morais sofridos.

A defesa também recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro André Mendonça extinguiu o pedido no dia 22 de janeiro. O magistrado explicou que o Supremo só pode analisar o caso após decisão colegiada do STJ. Ele afirmou não ter encontrado irregularidades que justificassem a concessão do habeas corpus.

Sigilo negado

A defesa de Thiago, representada pelo advogado Mario Badures, solicitou o sigilo dos autos em 31 de dezembro, alegando que isso evitaria prejuízos à investigação. No entanto, o promotor Carlos Eduardo Viana Cavalcanti se opôs, destacando a falta de justificativas concretas para o sigilo.

O juiz Eduardo Hipólito Haddad, ao analisar o pedido, ressaltou a importância da transparência e do papel da imprensa na divulgação de informações, e argumentou que a mídia não estava abusando na cobertura do caso. Então, o pedido de segredo de justiça foi negado.

Direção ‘imprudente e incompatível’ foi o fundamento para reclassificação do crime – Foto: arquivo pessoal

Mais ocupantes no veículo

Após o crime, apenas o denunciado Thiago Arruda foi ouvido formalmente. Entretanto, imagens de câmeras de segurança obtidas revelaram que mais pessoas estavam no carro envolvido no atropelamento.

A advogada Sabrina Dantas, assistente de acusação, afirmou que, após o crime, três ocupantes do veículo – identificados pela defesa de Adalto – fugiram do local e não prestaram depoimento, deixando apenas Thiago Arruda Campos Rosas, que teria assumido a direção do carro.

Diante disso, o promotor solicitou ao Ministério Público (MP) que a autoridade policial realize diligências para identificar e ouvir as demais pessoas que estavam no veículo conduzido por Thiago no momento dos fatos.

Para a advogada, a medida é essencial para o andamento do processo. “Não só por isso, mas também por isso a gente vem lutando desde o início e, graças a Deus, a gente está conseguindo que a justiça seja feita”, ressaltou em entrevista à VTV, emissora afiliada do SBT na Baixada Santista.

‘Aquela resenha de fim de ano’, escreveu o bancário em um story – Reprodução: redes sociais

Quem era o cantor de pagode Adalto Mello, que morreu atropelado em São Vicente?

Cantor e compositor de pagode, Adalto se apaixonou pela música ainda na infância. Aprendeu a tocar cavaco observando seu pai e, desde jovem, se dedicou à carreira musical, se apresentando em eventos e comércios, de acordo com a família.

Além do talento musical, se formou em Educação Física e trabalhou em várias empresas ao longo de sua vida. Apesar disso, nunca abandonou o seu amor pela música, sempre conciliando o trabalho com os ensaios e apresentações à noite. Para ele, a música era um sonho a ser vivido, e não apenas uma fonte de dinheiro.

Aos 10 anos, Adalto deixou um filho, que estava com ele nas férias quando o cantor faleceu. A mãe do artista, Carla, destaca que o filho era extremamente apegado à família e sempre procurava transmitir amor e bondade para todos ao seu redor. Adalto será lembrado por fãs, amigos e familiares pela dedicação à música e sua fé.

“Desde quando me entendo por gente, desde criança, eu já toco pagode e samba. Meu pai e minha mãe sempre curtiram música. Meu pai era de escola de Samba de Santos. Meu primo tocava em grupo de pagode”, disse o cantor em entrevista à VTV SBT.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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