Uma cadela foi baleada por um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) em Cubatão, na Baixada Santista. Segundo a tutora, Lavínia Fernandes, o animal interagia com um morador quando o agente se aproximou, disse ter se assustado e efetuou os disparos. O GCM, porém, afirma que agiu após uma “tentativa de ataque”.
O caso ocorreu em frente a um mercado, no bairro Vale Verde, no início da noite do último sábado (7). A cadela, Atena, de sete meses, da raça American Bully, saiu de casa quando a tutora abriu o portão para sair de moto e correu em direção a um homem que passava pelo local, segundo relato à VTV, afiliada do SBT.
Lavínia disse que tranquilizou o pedestre, explicando que a cadela não era agressiva e, de acordo com ela, Atena teria atendido ao chamado e se sentado. Ainda assim, um guarda civil municipal que saía do mercado teria se assustado. “Eu falei: ‘Não, moço, não atira. Pelo amor de Deus, eu te imploro, não atira’”, relatou.
Cirurgia após disparo
Mesmo após o pedido para que não atirasse, o agente disparou contra a pata da cadela, como mostram imagens cedidas pela tutora (veja abaixo). Segundo Lavínia, Atena permaneceu sentada e não avançou contra ninguém. Ao notar a presença da mãe da tutora, o animal correu para dentro de casa e se escondeu.
Pouco tempo depois, a família e vizinhos encontraram a cadela ensanguentada, dentro de casa. Atena foi socorrida e diagnosticada com fratura grave no cotovelo, com o osso despedaçado. Ela segue sob cuidados veterinários e passou por cirurgia de emergência nesta terça-feira (10), com custo estimado em R$ 6.500.
O estado de saúde é considerado estável, mas há risco de sequelas por se tratar de um filhote. “Ela poderá precisar de fisioterapia, e exames indicaram a possibilidade de estilhaços da bala na perfuração”, afirmou Lavínia. Segundo a família, o guarda municipal também não ofereceu ajuda para custear o tratamento.

O advogado Matheus Siqueira, que representa a família de Lavínia, informou que irá buscar indenização por danos materiais e morais. Segundo ele, a conduta precisa ser apurada nas esferas criminal e cível. “Atirar em via pública é uma conduta que precisa ser represada. A Polícia Civil vai apurar os fatos e, posteriormente, a discussão será levada a juízo”, afirmou à equipe de reportagem.
O que dizem as autoridades
Segundo o boletim de ocorrência, ao qual o VTV News teve acesso, o guarda municipal relatou que a cadela avançou contra um homem, que tentou se defender com um guarda-chuva. Diante do que classificou como “risco iminente”, afirmou ter atirado contra o animal. A versão foi reforçada pela prefeitura, por meio de nota.
No posicionamento, a administração municipal informou que a legislação prevê responsabilidade do proprietário na condução de animais de grande porte, que devem utilizar coleira e focinheira. Também comunicou que a ocorrência foi encaminhada à Corregedoria da Guarda Municipal para apuração da conduta do agente.
Já a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que acompanha o caso, registrado no 3º Distrito Policial (DP) de Cubatão como disparo de arma de fogo e omissão de cautela na guarda de animal. Segundo a pasta, a arma do guarda – uma pistola calibre 9 milímetros – foi apreendida.

O VTV News não conseguiu localizar a defesa do GCM, mas o espaço para manifestação segue aberto.
Saiba mais sobre a raça de cachorros, American Bully
O American Bully é uma raça criada nos Estados Unidos, entre as décadas de 1980 e 1990, a partir do cruzamento de cães como American Pit Bull Terrier, American Staffordshire Terrier e Bulldogs. A proposta era desenvolver um animal de companhia forte e robusto, mas com um temperamento mais equilibrado.
Fisicamente, o American Bully se destaca pelo porte musculoso, corpo compacto, peito largo e pelagem curta e brilhante. A raça é dividida em categorias como pocket, standard, classic e XL – que variam no tamanho e na estrutura. Apesar da aparência imponente, muitos exemplares são descritos como afetuosos, leais e sociáveis.
Por serem cães ativos, precisam de exercícios diários para manter a saúde física e mental. Ao mesmo tempo, exigem condução responsável, especialmente em locais públicos, devido à força e à estrutura corporal. Entre os problemas de saúde mais comuns estão displasia de quadril e de cotovelo, além de possíveis dificuldades respiratórias relacionadas ao focinho mais curto.