A Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular Douglas Alves da Silva, acusado de atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, na capital paulista. O crime aconteceu em novembro de 2025 e ganhou repercussão nacional pela violência da ação.
Douglas responde por feminicídio e tentativa de homicídio contra um amigo da vítima. Além disso, ele segue preso preventivamente e não poderá responder ao processo em liberdade.
A decisão ocorreu após audiência de instrução realizada nesta segunda-feira (25), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Durante a sessão, o Tribunal ouviu 12 testemunhas e também interrogou o réu.
Crime ganhou repercussão nacional
O caso aconteceu em 29 de novembro de 2025, na região da Vila Maria, Zona Norte da capital paulista.
Segundo a investigação da Polícia Civil, Douglas atropelou Tainara de forma intencional e, em seguida, arrastou a vítima por aproximadamente um quilômetro antes de abandoná-la ferida perto de um posto de combustíveis na Marginal Tietê.
Além disso, câmeras de segurança registraram o momento do atropelamento e ajudaram a fortalecer a investigação.
A polícia afirma que o crime teve motivação ligada a ciúmes. Conforme a apuração, Douglas não aceitava o fim do relacionamento breve que teria mantido com Tainara.
Vítima passou por amputações
Após o atropelamento, equipes de resgate socorreram Tainara em estado grave e a encaminharam ao Hospital das Clínicas.
Durante a internação, ela passou por diversas cirurgias. Entre os procedimentos, médicos amputaram as duas pernas abaixo da linha do joelho. Além disso, a equipe realizou novas operações para conter infecções e tratar lesões na região da bacia.
Apesar dos esforços médicos, Tainara morreu em 24 de dezembro de 2025, após quase um mês internada na Unidade de Terapia Intensiva.
A declaração de óbito apontou septicemia, amputações e desarticulação do quadril entre as causas da morte.
Tainara deixou dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7.
Defesa contesta acusação
Antes da audiência, a defesa de Douglas classificou a sessão como prematura e alegou ausência de laudos periciais no processo.
Além disso, o advogado do acusado afirmou que não existem elementos suficientes para caracterizar feminicídio. Segundo a defesa, Douglas e Tainara não mantinham relacionamento.
Após a prisão, Douglas afirmou à polícia que o atropelamento ocorreu de forma acidental durante uma discussão envolvendo um amigo da vítima. Ele também declarou que deixou o local porque temia ser agredido.
No entanto, testemunhas e imagens analisadas pela investigação contradizem essa versão. Segundo a Polícia Civil, Douglas acelerou o veículo de forma proposital e continuou a ação mesmo após alertas de pedestres e motoristas.

Família cobra justiça
Durante a audiência, familiares acompanharam o andamento do processo.
A mãe de Tainara afirmou que a decisão representa uma etapa importante na busca por justiça pela morte da filha. Além disso, ela relatou que conseguiu encarar o acusado pela primeira vez desde o crime.
O caso se tornou símbolo da violência contra a mulher e, por isso, gerou manifestações durante o velório da vítima, realizado em dezembro do ano passado.
Júri popular decidirá futuro do réu
Com a decisão da Justiça, Douglas será julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.
O Conselho de Sentença contará com sete jurados, que decidirão pela condenação ou absolvição do réu após os depoimentos, apresentação de provas e debates entre acusação e defesa.
Caso ocorra condenação, a pena por feminicídio pode chegar a 40 anos de prisão.
O processo tramita sob segredo de Justiça no Tribunal de Justiça de São Paulo. Até o momento, o Judiciário ainda não definiu a data do júri popular.