A Polícia Civil de Goiás confirmou que Cleber Rosa de Oliveira confessou ter assassinado Daiane Alves de Souza, corretora de imóveis de 43 anos, desaparecida desde dezembro do ano passado.
A confissão ocorreu durante depoimento nesta segunda-feira (6), quando ele também indicou a área de mata onde o corpo foi encontrado, a cerca de 15 quilômetros da cidade de Caldas Novas, no sul do estado.
O filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de participação no crime e de tentar atrapalhar as investigações.
Segundo os investigadores, o caso apresentou desde o início sinais de que o autor teria pleno conhecimento da rotina e da estrutura do edifício onde a vítima morava. As imagens das câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador do prédio, pouco antes de desaparecer. O tempo entre a última imagem e o início das buscas é de cerca de oito minutos, com um lapso de cobertura nas câmeras, o que possibilitou a ação sem registro visual.
Acesso privilegiado e contradições
De acordo com a Polícia Civil, a reconstrução dos eventos aponta que Daiane teria saído do apartamento para verificar uma queda de energia, supostamente restrita à sua unidade. Ela gravou vídeos no momento em que deixou o imóvel, e dois foram enviados a uma amiga. Um terceiro vídeo, feito quando chegou ao subsolo, não foi compartilhado. A corretora saiu sem os óculos, levando apenas o celular.
Durante os depoimentos, Cleber apresentou inúmeras contradições, segundo a delegacia responsável. Isso o colocou entre os principais suspeitos ainda nas primeiras fases da apuração. Um detalhe considerado relevante foi a condição do apartamento: embora Daiane tenha deixado a porta aberta ao sair, ela foi encontrada trancada posteriormente, reforçando a suspeita sobre alguém com acesso facilitado ao local.
“Temos um lapso de tempo de oito minutos, um ponto cego nas câmeras. E, pelo que as provas indicam, ele deve ter matado ela ali”, afirmou o delegado responsável ao canal TV Terra Dourada, afiliado do SBT.
Conflito com a administração do prédio
A investigação também aponta para conflitos anteriores entre a vítima e a administração do condomínio, especialmente relacionados à gestão dos apartamentos. Daiane chegou a ser proibida de acessar o prédio após decisão de assembleia, mas obteve na Justiça o direito de voltar ao local meses depois. Há registros de boletins de ocorrência e discussões com funcionários.
Antes da confissão e da localização do corpo, a mãe da corretora chegou a relatar à imprensa momentos de desespero com a falta de respostas sobre o caso.
O processo seguirá sob sigilo até a formalização da denúncia.