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Apontado como maior fornecedor de cocaína da Paraíba é preso em Hortolândia

Operação Argos cumpre 44 mandados de prisão e bloqueia mais de R$ 104 milhões em bens ligados a esquema de tráfico interestadual e lavagem de dinheiro

Um homem apontado pela Polícia Civil da Paraíba como líder de uma organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro em larga escala foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em um condomínio de alto padrão em Hortolândia (SP).

De acordo com a corporação, o detido é Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras (PB). As investigações o identificam como principal fornecedor de cocaína para o território paraibano, com outras ramificações também em Pernambuco e no Ceará. A polícia sustenta que ele mantinha padrão de vida suntuoso e incompatível com rendimentos formais.

A prisão integra a Operação Argos, deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Gaeco do Ministério Público, com apoio de forças de quatro estados. Ao todo, a ofensiva cumpre 44 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em 13 cidades distribuídas entre Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, mais de 400 agentes participam da ação. A operação reúne o Gaeco, a Unidade de Inteligência da Polícia Civil, o GOE, a Coordeam, as Delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande, além de delegacias estratégicas das três superintendências da corporação.

Apontado como maior fornecedor de cocaína da Paraíba é preso em condomínio de luxo em Hortolândia (Foto: Draco Paraíba)

Apoio em São Paulo

No território paulista, a ofensiva contou com suporte do DENARC, do DEIC de São Bernardo do Campo e do DEIC de Piracicaba, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e do Mato Grosso.

No imóvel, os policiais apreenderam grande quantidade de drogas, valores em dinheiro e um veículo de luxo utilizado pelo suspeito. O material será submetido à análise pericial e pode gerar novos desdobramentos investigativos.

Bloqueio de bens

Segundo a Polícia Civil da Paraíba, foram determinados:

  • Bloqueios de R$ 104.881.124,34;
  • Sequestro de 13 imóveis de alto padrão;
  • Apreensão de 40 veículos, incluindo carros de luxo utilizados pelo grupo.

As apurações indicam que o esquema financeiro utilizava familiares do investigado, além de “laranjas”, empresas de fachada e contas fictícias para movimentação de recursos de origem ilícita.

Equipe que realizou a prisão do principal alvo da operação (Foto: Reprodução / Draco Paraíba)

Como funcionava o esquema?

Segundo a Polícia Civil, a investigação foi iniciada em meados de 2023 após sucessivas apreensões de carregamentos de drogas atribuídos ao grupo, identificou uma estrutura hierárquica com divisão funcional bem definida.

O chamado núcleo gerencial, sediado em São Paulo, era responsável pelas diretrizes logísticas e pelas decisões financeiras da organização. Já o núcleo operacional na Paraíba era composto por células regionais instaladas em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, responsáveis pela capilaridade da distribuição.

A apuração também revelou um sistema estruturado de lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, o esquema envolvia familiares de um dos investigados, conhecido como “Chocô”, a utilização sistemática de interpostas pessoas (“laranjas”) e a constituição de empresas de fachada e contas bancárias destinadas a integrar recursos ilícitos à economia formal.

As diligências foram cumpridas nos seguintes estados e municípios:

  • Na Paraíba: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras.
  • Em São Paulo: capital, São Bernardo do Campo e Hortolândia.
  • Na Bahia: Cândido Sales.
  • Em Mato Grosso: Nova Santa Helena.

A Operação Argos— referência ao gigante da mitologia grega dotado de cem olhos — simboliza, segundo a Polícia Civil, a vigilância permanente contra o crime organizado, com foco não apenas na restrição da liberdade dos investigados, mas também no desmonte da estrutura econômica que sustenta a atividade criminosa.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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