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Suspeito? Homem aparece queimado em hospital horas após execução de ex-delegado em Praia Grande

Veículo usado no crime foi abandonado e incendiado para apagar rastros, diz Polícia Civil
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Um homem não identificado deu entrada no Pronto-Socorro Central (PS) de Praia Grande, na Baixada Santista, e levantou suspeitas de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes. De acordo com informações apuradas pelo repórter Pietro Falbuon, ele foi interrogado no início da tarde desta terça-feira (16).

Fontes foi executado logo após sair do Paço Municipal de Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração. O ex-delegado foi perseguido por ao menos quatro criminosos armados com fuzis, que efetuaram diversos disparos. Ele perdeu o controle do veículo, colidiu com dois ônibus e capotou na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim.

Um dos carros usados na ação criminosa, uma Toyota Hilux preta, foi encontrada incendiada a cerca de dois quilômetros do local do crime. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) ainda não se manifestou até o fechamento desta reportagem, porém, segundo o secretário Guilherme Derrite, dois suspeitos já foram identificados e tiveram a prisão temporária solicitada.

Polícia prendeu um suspeito

O primeiro suspeito de envolvimento na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi identificado na manhã de terça-feira (16). Segundo as autoridades, ele estava em um dos veículos usados no crime e possui uma extensa ficha criminal. Há registros por tráfico de drogas e roubo desde a adolescência.

A identificação foi possível após exames periciais em um Renault Logan preto, utilizado como carro de apoio pelos criminosos. Conforme apurado pelo SBT, o grupo havia planejado fugir em um terceiro veículo, um Jeep Renegade. No entanto, o plano falhou quando eles não conseguiram acessar o automóvel.

Durante a tentativa de fuga, os suspeitos tentaram quebrar o vidro do Renegade, mas um disparo acidental ocorreu. O barulho chamou a atenção de moradores, o que forçou os criminosos a abandonarem o local. Eles deixaram para trás parte do armamento, carregadores e munições. A perícia encontrou a digital de um dos suspeitos na placa do veículo.

Exames periciais e mandados de busca marcam avanço no caso

A digital do segundo suspeito, mencionado no topo do texto, foi encontrada no porta-malas do Jeep Renegade usado na fuga. A porta traseira do veículo foi removida e levada ao Departamento de Homicídios (DHPP), em São Paulo, onde passará por novos exames periciais. A polícia acredita que o material pode trazer mais evidências sobre os autores do crime.

Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que as investigações contam com o apoio de diversos departamentos da Polícia Civil e da Polícia Militar (PM). Ele garantiu que o caso é tratado com prioridade máxima. “Não vamos descansar enquanto esse crime não for elucidado”, declarou.

A Polícia Civil cumpriu oito mandados de busca e apreensão na capital paulista e na Região Metropolitana. A mãe de um dos suspeitos foi ouvida pelas autoridades. Contudo, a SSP reforçou, em nota, que demais detalhes das operações estão sendo mantidos em sigilo para não comprometer as investigações em andamento.

Criminosos foram identificados através de impressões digitais deixadas em veículo que seria usado na fuga – Foto: SBT

E quanto à Polícia Federal?

Na saída do velório do corpo de Ruy, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Derrite agradeceu o apoio oferecido pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal (PF) para ajudar nas investigações, mas recusou a ajuda. Segundo ele, as polícias estaduais já estão totalmente mobilizadas e preparadas para identificar e prender os responsáveis.

O secretário explicou que, desde o momento do crime, as equipes do DHPP, DEIC e da Polícia Militar estão atuando intensamente. Ele destacou que, em poucas horas, o primeiro suspeito já foi identificado e que o trabalho segue em ritmo acelerado para prender todos os envolvidos. Para ele, o aparato estadual é “100% capaz de dar a pronta resposta necessária”.

Apesar da recusa, Derrite ressaltou que a colaboração federal é bem-vinda, especialmente no compartilhamento de informações que possam ajudar a localizar os criminosos. Reforçou a confiança total na Polícia Civil paulista e garantiu que a investigação continuará sob comando estadual, assegurando que “todos que cometeram esse crime vão pagar por isso”.

Como aconteceu o crime que matou o ex-delegado Ruy Ferraz em Praia Grande?

Imagens de câmeras de monitoramento mostram o momento em que um veículo ocupado por pelo menos quatro criminosos estaciona próximo à Secretaria de Educação, na Rua 18 de Novembro, às 18h02. Quatorze minutos depois, o carro dirigido por Fontes se aproxima e é imediatamente alvejado, iniciando uma perseguição. Ele foge em direção à Rua 1º de Janeiro.

Durante a fuga, o carro conduzido pelo ex-delegado colide com dois ônibus e capota na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas. Após o acidente, três homens mascarados descem do veículo e cercam o carro capotado, enquanto um quarto fica na retaguarda para dar cobertura. Armados com fuzis de uso restrito, os suspeitos iniciam o ataque contra a vítima.

O ataque foi realizado à queima-roupa, com os criminosos disparando diversas vezes contra a vítima. De acordo com o registro policial, Fontes foi atingido por mais de 20 disparos, principalmente nos braços, pernas e abdômen. “Foi uma execução com um objetivo claro: eliminar a vítima rapidamente”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. Clique aqui para entender a dinâmica do crime.

Ex-chefe da Polícia Civil, que ganhou notoriedade no combate ao PCC foi morto a tiros em Praia Grande – Foto: redes sociais

Quem era o delegado Ruy Ferraz Fontes?

Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, foi delegado por mais de 40 anos e ocupou o cargo de delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo entre 2019 e 2022. Formado em Direito, atuou em unidades de elite como o Deic, DHPP, Denarc e Decap. Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, onde trabalhava até ser executado.

Fontes teve papel de destaque no combate ao crime organizado em São Paulo, especialmente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Participou das investigações e prisões de líderes da facção no início dos anos 2000. Ele também foi um dos responsáveis por indiciar os chefes do grupo após os ataques de 2006.

Entre os presos à época estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal líder do PCC. Ruy foi citado no livro “Laços de Sangue”, escrito por Márcio Christino e Claudio Tognolli, como peça-chave no enfrentamento à facção. Segundo especialistas, seu assassinato pode ter ligação com essa atuação histórica.

Repórter mostra ponto de início da perseguição contra ex-delegado; assista


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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